Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
Considere as seguintes passagens do texto:
• O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume. (2º parágrafo)
• … mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. (4º parágrafo)
• E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos… (5º parágrafo)
As formas pronominais que substituem as expressões destacadas estão em conformidade com a norma-padrão da língua, respectivamente, em: