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2416689 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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TEXTO 1

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta

[meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo. Carlos Drummond de Andrade.

In Alguma poesia, publicado em 1930.

Obs. O "Poema de sete faces", de Carlos Drummond de Andrade, será usado como subsídio (ou suporte) para a leitura do poema "Com licença poética" (texto 2).

TEXTO 2

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou tão feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado. Bagagem. 24 ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Editora Record, 2007. p.9.

Reflita sobre os versos de Adélia Prado: Inauguro linhagens, fundo reinos / — dor não é amargura (texto 2). Considere as seguintes leituras que foram feitas dos versos:

I. Dor que a mulher sente ao pôr uma criança no mundo.

II. Importância da mulher na constituição das sociedades.

III. Fortaleza psicológica da mulher atual.

Relacionando-se os versos citados com os outros versos do poema, pode-se afirmar corretamente que são leituras autorizadas pelo texto as que se encontram nos itens

 

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