São as narrativas, ora tomadas como mitos, ora como verdades históricas, que construirão a base para a formação de um imaginário nacional. E aqui não me refiro somente aos países que primam por ideologias nacionalistas ou étnicas ou fundamentalistas. Como veremos, a existência da nação moderna depende fortemente desse jogo de evocação do passado, cujas ferramentas principais são a memória e o esquecimento.
Nesse sentido, o passado transforma-se em uma narrativa não fixa, mas permeável por interesses do tempo presente. Ao (re)construirmos o passado de determinado povo, esquecemos e lembramos — conscientemente ou não — de determinados fatos, informações e interpretações. Dessa forma, damos voz a uma narrativa que se inscreve tanto no tempo histórico quanto no mítico. A batalha — a meu ver, perdida — de certos historiadores parece ser a de tentar escapar a esses tempos, reafirmando a ligação dos fatos históricos com uma Verdade e conferindo a outros acontecimentos uma suposta função inferior de fábulas ou mitos. Inventariar o passado torna-se, para esses estudiosos, tarefa árdua em que ainda está em jogo a busca de uma suposta autenticidade.
Giovana F. Dealtry. Memória e esquecimento como formas de construção do imaginário da nação (com adaptações).
Acerca do texto acima, julgue o item que se segue.
Infere-se do texto que fatos históricos e mitos fazem parte da formação do imaginário de uma nação moderna: interesses do tempo presente permeiam narrativas que se constroem no jogo da memória e do esquecimento.