A partir dos dois anos de idade, normalmente a criança forma as primeiras frases. Aos três, orações mais completas e facilmente compreendidas por pessoas que não convivam com ela, de acordo com a fonoaudióloga Juliana Trentini, autora do livro Do gugu-dadá ao mamãe, me dá.
Aos cinco anos de vida de um indivíduo, a fala já deve fluir sem dificuldade, porque, nessa idade, o padrão de linguagem da criança é semelhante ao da linguagem de um adulto. O marco científico para identificar um retardo na aquisição da linguagem é aos dois anos e seis meses de vida, segundo especialistas.
Trentini atenta para o fato de que nem todas as crianças têm o mesmo ritmo de desenvolvimento da fala, mas, se houver qualquer desconfiança quanto à dificuldade na aquisição de linguagem, é recomendável que os pais ou responsáveis busquem ajuda de especialistas. Uma intervenção precoce, feita antes dos três anos de idade, com terapia fonoaudiológica e acompanhamento médico, pode oferecer resultados mais rápidos.
Casos de atraso no desenvolvimento da fala exigem uma atuação conjunta entre médicos e fonoaudiólogos. Antes de uma intervenção, é preciso descartar problemas genéticos, psiquiátricos e auditivos por meio de exames clínicos.
Descartada a presença de síndromes ou patologias, a maioria dos casos de vocabulário deficitário ou forma de falar inadequada para a idade tende a ser transitória. Estudos científicos desenvolvidos nos EUA demonstram que, nessas situações, o desenvolvimento da linguagem ocorre até por volta de quatro anos e meio de idade.
Há, entretanto, casos de atraso no desenvolvimento da linguagem diagnosticados como distúrbio de linguagem.
Estima-se que de 7% a 10% da população infantil de um a cinco anos de idade tem boa compreensão linguística, funções cognitivas preservadas e boa audição, mas não desenvolve a linguagem como o esperado em decorrência de um distúrbio chamado transtorno de desenvolvimento de linguagem (TDL), de acordo com a fonoaudióloga Amalia Rodrigues, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Os sintomas de um atraso na fala e de TDL, que é mais complexo, são os mesmos. Um especialista só poderá fechar o diagnóstico após o início do tratamento. No primeiro caso, em até seis meses de intervenção, que, às vezes, é combinada com acompanhamento psicológico, a linguagem da criança começa a despontar. O TDL, entretanto, é um problema crônico, ou seja, dura toda a vida, mas, com a intervenção adequada, é possível fazer a inclusão do indivíduo na sociedade, explica a professora.
Ela afirma, ainda, que, em ambos os casos, uma das orientações é matricular a criança na escola caso ela ainda não a frequente, devido ao acesso a atividades pedagógicas e ao contato com outras crianças. “Orientamos a família e a escola de que é preciso oferecer estímulos. A brincadeira é a base cognitiva que vai auxiliar a criança em seu desenvolvimento linguístico. Quando ela passa a aprender fora do contexto terapêutico, é um indício de que o problema constitui um atraso, não um distúrbio”, conclui a professora.
Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).
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Conforme as informações do texto, o tratamento dos problemas relacionados a atraso na fala das crianças demora, pelo menos, seis meses e requer, necessariamente, acompanhamento psicológico.