- Interpretação de TextosCoesão e CoerênciaCoesão
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Narrativo
O gato e a barata
01 A baratinha velha subiu pelo pé do copo quase cheio de vinho, que tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu
02 pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que, nas baratas, vai da boca ao cérebro, o
03 álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta,
04 debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de
05 sua aflição, no alto do copo.
06 — Gatinho, meu gatinho — pediu ela — me salva, me salva! Me salva, que, assim que eu sair, eu deixo você me
07 engolir inteirinha, como você gosta! Me salva!
08 — Você deixa mesmo eu engolir você? — disse o gato.
09 — Me saaalva! — implorou a baratinha. — Eu prometo!
10 O gato virou o copo com uma patada, o líquido escorreu e com ele a baratinha, que, assim que se viu no chão, saiu
11 correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada.
12 — Que é isso? — perguntou o gato. — Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixava eu
13 comer você inteira.
14 — Ah, ah, ah! — ria então a barata, sem poder se conter. — E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de
15 uma barata velha e bêbada?
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17 Moral: s vezes, a autodepreciação nos livra do pelotão.
Adaptado de FERNANDES, Millôr. http://www2.uol.com.br/millor/fabulas/074.htm. Acesso em 12/02/17. Moral: s vezes, a autodepreciação nos livra do pelotão.16
Quanto ao termo “autodepreciação” (linha 17), ele se refere: