Magna Concursos
2503755 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Príncipes e princesas

Jeanne Bilich

Nosso imaginário inegavelmente plebeu, sagaz leitor, confere às famílias aristocráticas europeias ou originárias de países outros, em especial às princesas e rainhas oriundas das mais tradicionais casas reais. Atribuímos a essa casta de mulheres trajetórias romanescas, teimando na crença que nasceram (pré)destinadas à vida faustosa e, sobretudo, feliz.

Por exemplo? O casamento da duquesa Kate Middleton com o príncipe William, filho da performática Lady Di, cuja morte precoce comoveu não só os seus súditos, mas enlutou o mundo ocidental. Quando o príncipe William casou-se e nasceu o primogênito, notícias foram fartamente divulgadas pela mídia e consumidas por nós, os plebeus. Por quê? Ora, porque ainda impera no imaginário popular tratar-se de clã diferenciado. Sangue azul. Realeza.

Confesso-lhe, sagaz leitor, que, neste janeiro, encontro-me a hibernar, dedicando-me à leitura de biografias de princesas e rainhas da escritora portuguesa Isabel Stilwell. E são cativantes! Comecei lendo “Maria da Glória, a princesa brasileira que se tornou rainha de Portugal”, filha primogênita de D. Pedro I, leitura que me descortinou a trajetória do imperador do Grito da Independência já em terras d’além mar, após abdicar do trono brasileiro em favor do filho, Pedro II. Uma história rocambolesca.

A seguir, mergulhei no curso da vida de “Felipa de Lencastre - a rainha que mudou Portugal”, passeando pelos hábitos e costumes da Idade Média, visto que essa soberana viveu entre 1369 e 1415. Inglesa que, ao se casar com D. João II, vivenciou aventuras, padeceu com intrigas da corte (ah! e quantas...), relato que prende o leitor às 500 páginas. Depois? Saltei para o século XX devorando as peripécias – aventuras e desventuras - de Dona Amélia (1865-1951), rainha exilada que retornou a Portugal, graças a Salazar.

Ora navego nas atribulações existenciais de Catarina de Bragança (1638-1705) que casada com Charles II tornou-se rainha da Inglaterra. Leal amiga do Padre Antônio Vieira – jesuíta e grande orador, perseguido pela Inquisição -, tutor dos seus irmãos Teodósio e Afonso, sendo que o último reinou em Portugal, após a morte do primogênito.

E quanto à mítica felicidade que assistiu a essas princesas e rainhas? Eis a opinião de Catarina de Bragança: “Não sei se há muito a invejar. Casar com um homem que nunca se viu; partir para um país distante onde se fala uma língua que não é nossa e não se tem único amigo, deixando aqueles a quem amamos.” E há mais: a obrigatoriedade de gerar filho varão para assegurar a linha de sucessão, tolerar as várias amantes do marido e filhos bastardos. Pagar bilionário dote. Viver sob um rígido controle social e jamais desfrutar da privacidade.

Conclusão: antes de sonharmos com filhas ou netas princesas e a mulher amada como rainha, melhor seria lermos biografias. Segundo D. Maria da Glória: “Nós, pobres princesas, somos dados que se jogam e cuja sorte ou azar dependerá do resultado.”

Disponível em: <http://gazetaonline.globo.com/_

conteudo/2014/01/noticias/cultura/1475865-cronica-do-dia-princesas-- rainhas.html>. Acesso em: 17 maio 2014. (Fragmento adaptado).

O termo usado para se referir ao Reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais é:

 

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