Magna Concursos
3009771 Ano: 2018
Disciplina: Geografia
Banca: AOCP
Orgão: UEMG
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Texto referente à questão nº 47.

DESENREDO

Adélia Prado

Grande admiração me causam os navios e a letra de certas pessoas que esforço por imitar. Dos meus, só eu conheço o mar. Conto e reconto, eles dizem “anh”. E continuam cercando o galinheiro de tela. Falo da espuma, do tamanho cansativo das águas, eles nem lembram que tem o Quênia, nem de leve adivinham que estou pensando em Tanzânia. Afainosos me mostram o lote: aqui vai ser a cozinha, logo ali a horta de couve. Não sei o que fazer com o litoral. Fazia tarde bonita quando me inseri na janela, entre meus tios, e vi o homem com a braguilha aberta, o pé de rosa-doida enjerizado de rosas. Horas e horas conversamos inconscientemente em português como se fora esta a única língua do mundo. Antes e depois da fé eu pergunto cadê os meus que se foram, porque sou humana, com capricho tampo o restinho de molho na panela.

Saberemos viver uma vida melhor que esta, quando mesmo chorando é tão bom estarmos juntos? Sofrer não é em língua nenhuma. Sofri e sofro em Minas Gerais e na beira do oceano. Estarreço de estar viva. Ó luar do sertão, ó matas que não preciso ver pra me perder, ó cidades grandes, Estados do Brasil que amo como se os tivesse inventado. Ser brasileiro me determina de modo emocionante e isto, que posso chamar de destino, sem pecar, descansa meu bem querer. Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto. Valha-me noite que me cobre de sono. O pensamento da morte não se acostuma comigo. Estremecerei de susto até dormir. E no entanto é tudo tão pequeno. Para o desejo do meu coração o mar é uma gota.

Disponível em: . Acesso em: 24 nov. 2017.

Ao ler o poema apresentado, que faz uma leitura do Brasil considerando vários elementos da paisagem, do território e da formação do País a partir da perspectiva de uma geografia histórica, é correto afirmar que

 

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