Texto II para as questões de 22 a 29.
A indústria de tecnologia parece hoje ter o toque de Midas. Na semana passada, a Apple novamente chegou a passar a Exxon como empresa mais valiosa do mundo, ostentando ativos de US$418,8 bilhões (sua receita em 2011 foi de US$46,33 bilhões). A venda de tablets de todos os “sabores” cresceu 260% no ano, chegando a 66,9 milhões de unidades (incluindo 26,8 milhões de tablets Android e 15,43 milhões de iPads no último trimestre), segundo a Strategy Analytics. E até os PC’s continuaram vendendo bem: foram 352,4 milhões de computadores pessoais vendidos em 2011 contra 346,8 em 2010, apontou o IDC. Finalmente, dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) revelam que agora há quase 6 bilhões de celulares no mundo – uma penetração de 87% na população global.
Até aí, tudo bem. A questão é: se vivemos mergulhados numa moderníssima “iEconomia” – termo cunhado pelo “New York Times” em recente série de reportagens sobre os bastidores da Apple, que revolucionou o mundo techie com o trio iPad, iPhone e iPod – por outro lado toda a sofisticação parece se apoiar numa cama de pregos. A maioria dos gadgets que nos maravilham diariamente é montada na China e arredores, em fábricas com condições de trabalho tirânicas.
Só a taiwanesa Foxconn, que acaba de ser habilitada pelo governo brasileiro e terá incentivos fiscais para fabricar o iPad no país, responde por 40% da montagem de eletroeletrônicos de consumo do mundo inteiro.
A Foxconn tem um exército de 920 mil empregados, boa parte ganhando menos de US$17 por dia, segundo dados do “NYT”. Muito dessa força de trabalho dorme em alojamentos dentro das sedes da Foxconn, ficando disponível 24 horas por dia – são 210 mil só em Shenzhen. Entre outros gadgets, a companhia monta o iPad e o iPhone, da Apple; o console de games Xbox 360, da Microsoft; o e-reader Kindle, da Amazon; o console Wii, da Nintendo; e o PlayStation 3, da Sony. Sem falar de placas de vídeo da Nvidia e placas-mãe de computadores com modelos para processadores Intel e AMD. Ainda segundo o “NYT”, outras integradoras asiáticas terceirizadas por HP, IBM, Lenovo, Nokia, Motorola e Toshiba também apresentam condições subumanas de trabalho. A Apple faz entre 200 e 300 auditorias por ano nas fábricas chinesas, mas os direitos trabalhistas continuam sendo violados.
“Tentamos melhorar as coisas”, disse ao jornal americano um ex-executivo da Apple. “Mas muita gente ainda ficaria perturbada se visse de onde seu iPhone vem.”
(< http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/30/ieconomia-x-insustentabilidade/. >. Acesso em 8/2/12 – com adaptações)
A expressão que exerce função sintática DIFERENTE das demais se encontra na alternativa