O excerto a seguir contextualiza as questões 36 e 37. Leia-o atentamente.
O tempo constitui um dos aspectos mais importantes – se não o mais importante – da prosa de ficção. Na verdade, é para ele que confluem todos os integrantes da massa ficcional, desde o enredo até a linguagem: dir-se-ia que o fim último, consciente ou não, de qualquer narrador consiste em criar o tempo. A explicação, que demandaria uma série de considerações de ordem literária e filosófica, pode ser sumariada no seguinte: criando o tempo, o homem nutre a sensação de superar a brevidade da existência, e de identificar-se demiurgicamente, com o tempo cósmico, que permanece para sempre, indiferente à finitude da vida humana; gerando o tempo, o ficcionista alimenta a ilusão de imobilizá-lo ou transcendê-lo.
(MOISÉS, Massaud. Guia prático de análise literária. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1973, p. 101.)
A tradução do trecho do excerto que não provoca alteração de sentido está em: