O texto a seguir servirá de base para você responder à questão:
Texto I
Dr. House e o positivismo
O senso comum do cientista e do profissional liberal diz a seguinte regra: deixe de fora as paixões e as intrigas e busque tratar cada caso ou situação de modo objetivo. Por essa regra, o médico, por exemplo, deve concentrar sua atenção exclusivamente na doença, e esta é entendida como o que se manifesta em um setor do corpo ou do psíquico (o que vale para o advogado, o engenheiro, o professor, etc.).
O Dr. House* subverte esse princípio de ouro do positivismo: ele potencializa a intriga, a fofoca e mistura tudo em um caldeirão de emoções no qual ele próprio vive e para onde arrasta toda a sua equipe e, não raro, uma boa parte do hospital e da família do doente. Ele aposta que o caldeirão que pesa contra todo o nascimento de qualquer objetividade é que produzirá a solução objetiva do caso em questão – e ele não erra nunca.
Por que o Dr. House não erra, mesmo fazendo tudo que é o contrário do bom senso e da filosofia metodológica que guia a ciência? Simples: os médicos que escrevem a série parecem querer realmente subverter o que se pensa academicamente da medicina ou de outras profissões liberais. Tendo ou não alguma visão filosófica um pouco mais elaborada – e isso eu não sei –, o fato é que eles, como escritores que conhecem bem o cotidiano do hospital, puseram na praça um médico que é um bom investigador de casos e, no entanto, aparentemente não trabalha com o chamado “método científico” dentro de seus cânones estabelecidos no final do século XIX.
Assim, o Dr. House é um bom exemplo para a filosofia contemporânea, seja pela abordagem americana, de Rorty, ou pela abordagem alemã, de Habermas (neste caso, ao menos em parte.), pois em ambas o conhecimento é visto como do âmbito da intersubjetividade e não dos polos sujeito e objeto. House é o médico que potencializa a liberdade para que a interação das pessoas seja a mais rica possível, e ele aposta que desta situação emergirão boas chances de se chegar a um diagnóstico verdadeiro.
Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor. 23/06/2010 Disponível em:
<http://ghiraldelli.pro.br/2010/06/23/dr-house-o-anti-positivismo/>. Acesso em 15 mai. 2012.
* House é uma série de tevê de investigação, em que o herói é um médico polêmico, irreverente e antissocial que não confia em ninguém, muito menos em seus pacientes. Dr. House formou uma excelente equipe de excelentes médicos para diagnosticar doenças em casos misteriosos e já desacreditados. Somente pacientes em estado crítico são examinados por esse time, sempre disposto a descobrir a causa dos males para salvar vidas, seja através das vias tradicionais ou fazendo uso de métodos pouco tradicionais.
Levando-se em conta o texto I, julgue as afirmações a seguir, assinalando (V) para o que for verdadeiro e (F) para o que for falso em relação a ele.
( ) Em “esta é entendida”, no primeiro parágrafo, o pronome “esta” diz respeito à palavra “regra”.
( ) Em “Ele aposta”, no segundo parágrafo, o pronome “Ele” se refere a “Dr. House”.
( ) Em “e isso eu não sei”, no terceiro parágrafo, o pronome “isso” diz respeito ao fato de os médicos que escrevem a série terem ou não alguma visão filosófica um pouco mais elaborada.
( ) Em “neste caso, ao menos em parte”, no último parágrafo, a expressão “neste caso” refere-se à abordagem alemã, de Habermas.
Assinale a sequência correta, de cima para baixo:
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