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A genética fracassou?
Escrever o manual de instruções de uma pessoa. Esse era o objetivo dos cientistas que começaram a mapear e sequenciar o genoma humano, em 1990. Com um mutirão de cientistas e computadores potentes, no entanto, o mundo achou que era hora de entender tudo: por que ficamos doentes ou nascemos com cabelos lisos ou crespos.
Saberíamos com antecedência que doenças nos afetariam no futuro. Desligando genes que causam disfunções e ligando aqueles responsáveis pelo conserto, seria mínimo o risco de sofrermos de males hereditários. Acreditando nisso, o mundo comemorou o mapeamento quase completo do genoma humano em 2000. Em coisa de 10 anos, diziam os líderes do projeto, viveríamos mais e melhor. No entanto, os 10 anos se passaram e o que foi prometido não aconteceu.
Doenças desvendadas
Se tudo tivesse saído como imaginado, o Projeto Genoma teria desvendado a causa de doenças graves, como diabetes e câncer. O resultado do trabalho seria um manual mesmo: “Os genes BRCA1 e BRCA2 são responsáveis por suprimir tumores. Em caso de mau funcionamento, podem causar câncer de mama”. De posse desse “livro da vida” (termo que os cientistas usavam), médicos saberiam exatamente como nos curar e livrar de doenças. Diabéticos, por exemplo, sairiam com uma receita que regulasse o gene responsável pela produção de insulina. O Projeto Genoma mapearia os botões do corpo que ativam determinados processos – os médicos só precisariam ligá-los e desligá-los conforme necessário.
Mas esse cenário começou a desmoronar logo, assim que os cientistas mergulharam nos dados do genoma. (...) O que os cientistas tinham de fazer era olhar para a espiral do DNA e apontar os pedaços dela que mandam o corpo produzir proteínas. Esses pedaços são os genes.
A identificação deu tanto trabalho quanto sair cavucando por aí para achar ouro. Ouro mesmo, porque os genes têm esta função mais nobre no organismo: produzir proteínas. Tudo o que acontece no seu corpo é regulado pelas proteínas, como a cor do cabelo e a absorção de gordura. E esse trabalho é feito de acordo com o que os genes mandam. Eles ordenam, as proteínas executam.
Além de valiosos, genes são raros no DNA. A maior parte da espiral é formada por “DNA lixo”, como eram carinhosamente apelidados os trechos de DNA que não codificavam proteínas.
Descobrir quantos e quais são os nossos genes seria a primeira etapa para desvendar doenças. Acreditava-se que cada gene produzia uma proteína. Com um listão de todos os pares, saberíamos em qual deles mexer quando adoecêssemos.
Pena que essa tese estava errada. A ideia de que bastaria interferir em um gene para resolver um problema que surgisse caiu por terra.
Na verdade, ela até ficou de pé, mas só para doenças mais raras. Estas sim são causadas por um único gene. É o caso da doença de Huntington, um distúrbio neurológico. Com um simples exame de sangue, é possível saber com precisão se alguém vai ou não ter o problema.
Para o resto das doenças, no entanto, é bem mais difícil encontrar uma resposta exata. (...) Os cientistas perceberam, portanto, que mapear e sequenciar o genoma não seria o fim de uma maratona. Seria o começo.
(João Vito Cinquepalmi, Superinteressante, setembro de 2010. Adaptado)
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