Leia o texto para responder à questão seguinte.
Nos anos 1960, entre os cem alunos da minha turma na faculdade, apenas 15 eram mulheres. Quando nos formávamos, as especialidades que as acolhiam eram pediatria, ginecologia, obstetrícia e a clínica médica. Pouquíssimas ousavam candidatar-se à residência de cirurgia, ambiente competitivo, não sem razão considerado tóxico para mulheres.
Com o aumento progressivo do número de futuras médicas nas faculdades, lentamente, como costuma ocorrer quando há uma classe que, em princípio, rejeita mudanças, essas barreiras têm sido removidas. Não como dádiva dos homens, mas pela determinação feminina.
Anos atrás, o grupo do pesquisador Christopher Walls, em Ontário, no Canadá, relatou que pacientes operados por cirurgiãs tiveram uma pequena, mas significativa, redução da mortalidade nos 30 dias após a cirurgia, menos complicações e menor risco de reinternações nesse período. Em outro estudo, o grupo encontrou risco mais alto de complicações em pacientes do sexo feminino, quando operadas por homens.
É possível que as cirurgiãs atuais sejam mais jovens e atualizadas do que os médicos mais velhos, homens na maioria? Ou que obedeçam com mais rigor as recomendações preconizadas pelos consensos de especialistas das sociedades médicas? Ou que sejam mais estudiosas do que os homens?
Pode ser, também, que a sensibilidade afetiva feminina reforce a empatia com os pacientes, que se traduzirá em comunicação mais clara, maior dedicação e disponibilidade para as consultas e os chamados fora de hora, que atormentam a vida profissional.
No ano 2000, existiam 219 mil médicos em nosso país. De lá para cá, a população aumentou 27%, enquanto o número de médicos mais do que duplicou. Hoje, somos 562 mil, com participação crescente das mulheres. A profissão está cada vez mais feminina, para o bem de todos.
(Drauzio Varella. A profissão de cirurgiã está cada vez mais femin
ina, para o bem de todos. www1.folha.uol.com.br, 10.01.2024. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que, diante do aumento do número de mulheres na medicina, o autor