Magna Concursos
3131871 Ano: 2023
Disciplina: Filosofia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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A gravidade da situação que hoje atravessamos não se deve unicamente ao fato de que temos de lidar com a ameaça da destruição de nossos recursos mais vitais: da água, do ar, das espécies vegetais e animais. O momento é grave, de modo mais essencial, porque o homem esqueceu a riqueza do que pode significar ser um ser humano. A tentativa de afirmar um poderio sem limites sobre as coisas — o projeto de estabelecer-se como tirano da vida — redunda em seu isolamento, em rompimento do diálogo com a natureza, em perda da referência da terra como abrigo.

Em outro nível, esse projeto está intimamente ligado aos ritmos da sociedade industrial. Cria-se a ilusão de que, embora existam desigualdades sociais evidentes demais para serem escamoteadas, todos os homens têm igual poderio sobre a natureza, de que todos, até os mais subjugados, têm o poder de subjugar as forças da natureza. Assim, o desequilíbrio ecológico e a planetarização de uma sociedade que, desenvolvendo-se sob a ideologia do individualismo e da pretensa igualdade de todos, caminha hoje para uma tecnocracia totalitária, são aspectos de um mesmo fenômeno.

Nancy M. Unger. Crise ecológica: a deserção do espaço comum. Revista Educação e Realidade, n. 34(3), set./dez. 2009, p.147-155 (com adaptações).

Tendo como referência o texto precedente, da filósofa Nancy Mangabeira Unger, julgue o próximo item.

A pensadora afirma que, em razão das desigualdades sociais, cada ser humano não tem igual poder sobre a natureza.

 

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