Jovens acabam com evasão escolar em MG
Elói Marcelo de Oliveira, 18, tinha quase 14 anos quando deu início a uma verdadeira revolução na educação de sua cidade, Lagoa Santa (Minas Gerais). Em quatro anos, ele e a turma de amigos criaram uma ONG, a Pacto Lagoa Santa pela Educação e acabaram com a evasão escolar na região.
Tudo começou quando o pai de Elói, um economista, chegou em casa com um relatório sobre repetência e evasão escolar no Brasil. Minas Gerais era o Estado com um dos piores índices.
“Eu sempre me preocupei com a situação social do país. Chamei um amigo e decidi fazer um estudo para saber a situação em Lagoa Santa, que tinha 50 mil habitantes”, diz o estudante.
Os garotos reuniram outros amigos e fizeram um mapeamento das crianças que estavam fora da escola. “Fomos de porta em porta e fizemos o que batizamos de arrastão cívico. Procuramos o promotor de Justiça para nos ajudar.” Em 96, a entidade encontrou 120 crianças fora da escola. Conseguiram convencer os pais de 103 delas a fazer a matrícula.
Além disso, o grupo criou um programa com aulas de reforço escolar dadas pelos próprios estudantes. Aos poucos, a ONG conseguiu o apoio da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), da prefeitura local e até do governo federal.
Hoje, todas as crianças de Lagoa Santa estão na escola, graças ao trabalho desses estudantes. “Para fazer alguma coisa, basta se sentir revoltado com a situação do país. Dá trabalho, mas vale cada minuto dedicado”, diz Elói.
(Folha de São Paulo, São Paulo, jul. 1999, Caderno Folhateen, p. 1-5).
A expressão 'arrastão cívico' é usada no texto para significar: