Magna Concursos
3381858 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: IF-RO

Leia o texto de Pasquale Cipro Neto: “Até para ser malandro...” para responder a questão.

O caro leitor talvez não saiba, mas entre os estudiosos dos fatos da língua há uma velha discussão sobre a importância e o emprego da norma culta. A discussão começa pelo conceito de norma culta, que nem de longe é ponto pacífico entre os especialistas.

Há aspectos sobre os quais não pairam dúvidas. Um deles, por exemplo, diz respeito à concordância (verbal e nominal): o que é predominante na linguagem oral (independentemente da classe social do falante) não costuma ocorrer no padrão escrito culto.

Tradução: na oralidade, é comum o verbo não concordar com o sujeito, qualquer que seja a ordem ("Os manual chegou"; "Chegou os manual"); na linguagem culta, a concordância é regular ("Os manuais chegaram"; "Chegaram os manuais").

O caro leitor talvez se lembre da descabida polêmica que envolveu o livro "Por Uma Vida Melhor", no qual há um capítulo que aborda com muita propriedade as diferenças entre fala e escrita, variedade popular e variedade culta. Convém lembrar que esse livro é destinado ao "EJA" ("Educação de Jovens e Adultos"). Em que pese o equivocadíssimo barulho feito por boa parte da imprensa, da sociedade, dos congressistas e até de professores e educadores, nem de longe o livro prega a ideia de que a norma culta é inútil, e também não prega a tola tese de que qualquer variedade de língua é boa em qualquer situação.

Lembra quando, em Santa Catarina, a Polícia Rodoviária prendeu malandros que dirigiam um veículo cuja placa era de "Frorianópolis"? E quando a PM paulista prendeu bandidos que queriam entrar num condomínio com um caminhão em cuja lateral se lia algo "Impório Santa Maria"? Havia até o endereço do site do "impório" na lateral do caminhão (www.imporiosantamaria.com.br). Não faltou coerência a esses larápios...

A gatunagem não se cansa de tentar fisgar incautos. Veja só o texto de um e-mail que recebi recentemente: "Atendendo a uma reclamante foi gerado uma queixa de crime em seu cpf/email, estamos entrando em contato para a apresentação da mesma. Para maiores esclarecimentos do Boletim de Ocorrencia, na qual a sua pessoa tera que efetuar o comparecimento. Na data e local especificado. Com os documentos de identificação. Confira na Ocorrencia os Documentos".

Nos mais importantes concursos públicos do país, costuma-se pedir aos candidatos que identifiquem marcas da linguagem oral presentes num texto escrito. Também se pede que o texto seja reescrito, de acordo com o português formal. No e-mail citado, o que é típico da linguagem oral? Pelo menos dois pontos chamam a atenção: "foi gerado uma queixa" (o sujeito é "queixa", portanto "foi gerada uma queixa"); "na qual a sua pessoa" ("a sua pessoa" no lugar de "você", "o senhor", "a senhora" é típico da oralidade de alguns grupos sociais).

Para adequar o texto ao português escrito formal, é necessário alterar quase tudo, escrever de novo, tamanha a ruindade do original. Falta vírgula depois de "reclamante"; não se trata de "queixa de crime", mas de "queixa-crime"; o emprego de "mesma" como elemento que representa algo já citado não é frequente no padrão formal; falta acento em "terá" e em "ocorrência"; o emprego de "na qual" é descabido etc., etc. etc.

Até para ser malandro talvez seja preciso algum refinamento (linguístico, no caso), embora não seja improvável malandros obterem sucesso sem esse refinamento e incautos letrados caírem nessas arapucas. É isso.

mailto:inculta@uol.com.br (Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2014/05/1448099-atepara- ser-malandro.shtml acesso em: 13 de maio de 2014)

Pasquale faz considerações sobre a variação na concordância verbal nos trechos: “Há aspectos sobre os quais não pairam dúvidas. Um deles, por exemplo, diz respeito à concordância (verbal e nominal): o que é predominante na linguagem oral (independentemente da classe social do falante) não costuma ocorrer no padrão escrito culto.

(...) Nos mais importantes concursos públicos do país, costuma-se pedir aos candidatos que identifiquem marcas da linguagem oral presentes num texto escrito. Também se pede que o texto seja reescrito, de acordo com o português formal. No e-mail citado, o que é típico da linguagem oral? Pelo menos dois pontos chamam a atenção: "foi gerado uma queixa" (o sujeito é "queixa", portanto "foi gerada uma queixa"); (...)”

Tais afirmações feitas pelo autor do texto:

I – Constituem generalizações sobre a língua oral, desconsiderando o continuum entre língua falada e escrita, segundo o qual, pode haver gêneros orais mais próximos da escrita prototípica, nos quais, a variação na concordância verbal não é comum.

II – Ratificam o continuum entre língua falada e escrita, pois evidenciam que na língua falada, predominam certas características informais e na escrita, a norma padrão.

III – Desconsideram o que os estudos sociolinguísticos evidenciam: a concordância verbal é uma variável social e estilística, isto é, há um padrão regular de emprego dessa variável que é fruto de restrições determinadas quer pela classe social quer pelo grau de formalidade da situação interlocutiva.

IV – Corroboram o que os estudos sociolinguísticos evidenciam: a concordância verbal é uma variável social e estilística, isto é, há um padrão regular de emprego dessa variável que é fruto de restrições determinadas quer pela classe social quer pelo grau de formalidade da situação interlocutiva.

V – Condenam o que os estudos sociolinguísticos evidenciam: a concordância verbal é uma variável social e estilística, isto é, há um padrão regular de emprego dessa variável que é fruto de restrições determinadas quer pela classe social quer pelo grau de formalidade da situação interlocutiva.

VI – Ignoram as origens da variação linguística referentes ao usuário e ao uso que ele faz da língua; dos relacionados ao usuário, destacam-se: idade, sexo, raça, profissão, posição social, grau de escolaridade, local em que reside na comunidade. Em relação à situação de comunicação, ressaltamos: ambiente, tema, estado emocional do falante, grau de intimidade entre os interactantes.

São verdadeiros, os itens:

 

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