No dia da primeira exibição pública de cinema — 28 de dezembro de 1895, em Paris —, um homem de teatro que trabalhava com mágicas, Georges Mélies, foi falar com Lumière, um dos inventores do cinema; queria adquirir um aparelho, e Lumière desencorajou-o, dizendo-lhe que o cinematógrafo não tinha o menor futuro como espetáculo, era um instrumento científico para reproduzir o movimento e só poderia servir para pesquisas. Mesmo que o público, no início, se divertisse com ele, seria uma novidade de vida breve, logo cansaria. Lumière enganou-se.
Naquele 28 de dezembro, o que apareceu na tela do Grand Café? Uns filmes curtinhos, filmados com a câmara parada, em preto e branco e sem som. Um em especial emocionou o público: a vista de um trem chegando à estação, filmada de tal forma que a locomotiva vinha de longe e enchia a tela, como se fosse projetar-se sobre a plateia.
A novidade não consistia em ver na tela um trem em movimento. Todos os espectadores sabiam que não havia nenhum trem verdadeiro na tela, logo não havia por que assustar-se. A imagem na tela era em preto e branco e não fazia ruídos; portanto, não podia haver dúvida, não se tratava de um trem de verdade. Só podia ser uma ilusão. A novidade residia aí: na ilusão.
Jean Claude Bernadet. O que é cinema? Internet: <http://pt.scribd.com> (com adaptações).
Em relação às ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item a seguir.
Os termos “logo” e “portanto” têm sentidos conclusivos e semelhantes, razão por que poderiam ser intercambiados sem que houvesse prejuízo para a correção gramatical e a coerência dos períodos.