Uma das controvérsias que envolviam o tratamento da AIDS era a respeito do momento de se iniciá-lo. Muitos especialistas defendiam que isso deveria ser feito o mais cedo possível. Outra corrente argumentava, porém, que o uso de remédios contra o HIV antes do aparecimento de sintomas poderia ser uma exposição desnecessária aos efeitos colaterais das drogas — entre eles, o aumento do colesterol. Dois importantes estudos puseram fim à polêmica. Eles comprovam que o combate ao HIV(a) deve ser, sim(b), o mais precoce possível.
Essa estratégia é a melhor forma de proteger o sistema de defesa do corpo do ataque do vírus. Os principais alvos do HIV são as células CD-4, integrantes desse sistema(c). Ele as usa para se replicar(d) e acaba destruindo-as. É por isso que, à medida que o vírus se multiplica, a resistência imunológica fica cada vez mais enfraquecida.
O que as pesquisas confirmaram foi que, quanto mais cedo o vírus for enfrentado, mais preservadas ficam as defesas e maior é a sobrevida dos pacientes. “Durante anos começamos a terapia quando o quadro imunológico já estava comprometido. Agora temos evidências de que a instituição(e) precoce da terapia salva vidas”, afirma Mari Kitahata, da Universidade de Washington, autora de um dos trabalhos.
As conclusões desses estudos devem mudar a conduta atual, segundo a qual a terapia deve ser iniciada quando a contagem de CD-4 é inferior a 350 cel/mm3. Na opinião do infectologista Jamal Suleiman, algumas questões ainda precisam ser solucionadas. Uma delas é como fazer que o paciente não abandone o tratamento por causa dos efeitos colaterais. Para Mari, esse é um problema menor: “Os efeitos colaterais do HIV são maiores. Eles são a morte”.
Greice Rodrigues. Sem trégua para o HIV. In: IstoÉ, ano 32, n.º 2.057, 15/4/2009 (com adaptações).
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