Texto 1
Política e religião não se discutem? (Adaptado)
“Política e religião não se discutem” é uma regrinha utilizada para manter a paz da casa da avó ou o último verniz de civilidade nas reuniões de condomínio. Quando o assunto é “religião na política” o cenário tende a ficar mais explosivo, podendo atingir as proporções de uma batalha épica.
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No entanto, o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, pode nos ajudar nesta tarefa. Ele chama de teologia política os discursos que reivindicam a presença da religião na esfera política, porém ele notou que as semelhanças entre os diversos grupos acabam aí e propôs uma tipologia para poder abordar a complexidade desta realidade.
Para entender tal tipologia é preciso lembrar que até cerca de dois séculos atrás religião e política andavam juntas. A coisa começou a mudar quando o iluminismo propôs que o Estado deveria ser laico, ou seja, pautado pela lógica racional. Esta filosofia animou várias correntes que, quando chegaram ao poder limitaram a influência política das religiões. Porém, até hoje as religiões tentam responder a isso, buscando reintroduzir os textos sagrados como elementos capazes de influenciar a vida pública e pelo que Boaventura percebeu tais respostas teológicas podem ser distribuídas entre dois extremos: Pluralistas e Fundamentalistas. Aqueles aceitam a autonomia política e de religião; estes são baseados em revelações e criam grupos radicais a exemplo dos grupos radicais islâmicos.
O sociólogo traça ainda um segundo eixo para classificar tais teologias de acordo com as intervenções políticas. As extremidades de tal eixo são: Tradicionalistas e Progressistas em que nestes, as desigualdade são desnaturalizadas e vistas como questões decorrentes de um sistema social e econômico que atenta contra os princípios da religião. Há um lado que se preocupa com os oprimidos e outro que ajuda a manter os privilégios de quem está no poder. Mas o Progressismo tem ainda uma tendência ecumênica e inter-religiosa.
https://www.politize.com.br acesso em 13 de setembro de 2022.
A questão se relaciona com o texto acima.
Verifique as afirmações abaixo sobre o texto em geral:
I.Apresenta elementos estruturais, contendo discurso indireto livre, com argumentos pertinentes ao tipo dissertativo.
II.Os argumentos empregados, embora válidos, contêm algo conotativo, aspecto empregado no tipo narrativo.
III.O texto, analisado com discernimento, afasta-se tanto do tipo dissertativo, como do narrativo, assemelhando-se ao tipo descritivo.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmação(ões):