[Vanguarda artística, ontem e hoje]
As escolas de vanguarda artística depois dos anos 1960 não se empenhavam mais em revolucionar a arte, mas em decretar sua falência. Vem daí o curioso retorno à arte conceitual e ao dadaísmo*. Nas versões originais de 1914 e depois, não eram formas de revolucionar a arte e sim de aboli-la, ou ao menos decretar sua irrelevância, por exemplo, pintando um bigode na Mona Lisa e tratando uma roda de bicicleta como “obra de arte”, como fez Marcel Duchamp. Quando o público não entendeu, ele expôs seu urinol com uma inventada assinatura de artista. Duchamp teve a sorte de fazer isso em Nova York, onde se tornou um grande artista, e não em Paris, onde não passava de um brilhante piadista intelectual entre muitos.
Dadá era sério mesmo em suas piadas mais desesperadas: não tinha nada de calmo, irônico e indiferente. Queria destruir a arte junto com a burguesia, como parte do mundo que havia produzido a Grande Guerra. Dadá não aceitava o mundo. Quando o pintor dadaísta alemão George Grosz se mudou para os Estados Unidos e descobriu um mundo que não abominava, perdeu sua força como artista.
*Dadaísmo ou Dadá: movimento artístico de cunho niilista, nascido durante a Primeira Guerra Mundial e que durou de 1916 a 1922. (Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. Trad. de Berilo Vargas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 291-292)
É plenamente coerente com o sentido do texto afirmar que
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