Quando a menina nasceu, nenhum vizinho foi dar os
parabéns aos seus pais. Em regiões do Paquistão como o
Vale do Swat, onde ela vivia, só o nascimento de meninos é
celebrado. Das meninas, espera-se apenas que vivam
quietinhas atrás das cortinas, cozinhem e tenham filhos –
preferencialmente antes dos 18 anos de idade. Aos 12 anos,
para poder continuar indo à escola, desafiou uma das mais
cruéis e violentas milícias em ação, o fundamentalista Talibã.
Aos 15 anos, foi baleada na cabeça em uma tentativa do
grupo de silenciá-la. Sobreviveu ao atentado e, aos 16 anos,
tornou-se porta-voz mundial de uma causa até há pouco
quase obscura, entre outros motivos, por ter surgido em uma
região que já parecia ter problemas a tratar: as milhares de
meninas no Afeganistão e no Paquistão que, graças a uma
interpretação do Islã eivada de ignorância e ódio, são
impedidas de ter acesso à educação e a um futuro melhor.
Revista Veja, 16/10/2013, edição 2.343. Editora Abril, pag. 86, com adaptações
Essa autobiografia da jovem paquistanesa é narrada no livro.