Leia o texto a seguir.
Segundo meu avô – gosto sempre de repetir – o único tempo que temos é o tempo presente. Ele até perguntava com certa frequência: por que o presente se chama presente? Dava um pouco de tempo e depois respondia: é porque é um presente que ganhamos do Criador. Quem ganha um objeto de presente tem que abrir na mesma hora para poder dar alegria a quem o deu. A vida é o presente que o Grande Espírito nos dá todos os dias, e viver esse presente alegra o coração do nosso Pai Primeiro. Meu avô era como um sábio que possuía todo o conhecimento de nossa gente. Qualquer coisa que a gente queria saber era só recorrer a ele que logo tinha uma história para contar. Foi ele que me ensinou que era preciso, de vez em quando, mudar. Disse isso pensando no rio. Fez-me olhar o rio que corria.
MUNDURUKU, Daniel. Antologia de contos indígenas de ensinamento: tempo de histórias. São Paulo: Moderna, 2005, p.19.
O trecho citado foi extraído de uma obra que compõe um conjunto de narrativas, textos, poemas, cantos, mitos, histórias orais, performances e produções escritas elaboradas por autores e autoras pertencentes aos diversos povos indígenas. Ela se caracteriza por expressar cosmovisões próprias, valores, memórias coletivas, modos de viver, relações com a natureza, com o território e com o sagrado, além de refletir questões políticas, históricas e identitárias desses povos. Trata-se da literatura
Segundo meu avô – gosto sempre de repetir – o único tempo que temos é o tempo presente. Ele até perguntava com certa frequência: por que o presente se chama presente? Dava um pouco de tempo e depois respondia: é porque é um presente que ganhamos do Criador. Quem ganha um objeto de presente tem que abrir na mesma hora para poder dar alegria a quem o deu. A vida é o presente que o Grande Espírito nos dá todos os dias, e viver esse presente alegra o coração do nosso Pai Primeiro. Meu avô era como um sábio que possuía todo o conhecimento de nossa gente. Qualquer coisa que a gente queria saber era só recorrer a ele que logo tinha uma história para contar. Foi ele que me ensinou que era preciso, de vez em quando, mudar. Disse isso pensando no rio. Fez-me olhar o rio que corria.
MUNDURUKU, Daniel. Antologia de contos indígenas de ensinamento: tempo de histórias. São Paulo: Moderna, 2005, p.19.
O trecho citado foi extraído de uma obra que compõe um conjunto de narrativas, textos, poemas, cantos, mitos, histórias orais, performances e produções escritas elaboradas por autores e autoras pertencentes aos diversos povos indígenas. Ela se caracteriza por expressar cosmovisões próprias, valores, memórias coletivas, modos de viver, relações com a natureza, com o território e com o sagrado, além de refletir questões políticas, históricas e identitárias desses povos. Trata-se da literatura