I.
Declarava, em 1933, em voz alta que o Brasil não era uma nação branca que tinha negros. O negro estava em todos nós e sem o negro não teria havido nem havia o Brasil. Éramos todos mestiços, na cultura. E era a cultura o que importava, a cultura que movimentava a nossa mente e o nosso corpo e não a cor da pele ou a textura dos cabelos. Tão intensa fora a nossa mestiçagem cultural, que era quase impossível medir-se, sobretudo no cotidiano doméstico, o que se devia ao ameríndio, ao africano e ao europeu.
II.
Ressaltava a indecisão da Ibéria entre a Europa e a África muçulmana. Considerava que os ibéricos se desenvolviam à margem da Europa e das mudanças que se processavam em suas formas de vida social. Ele discorda fundamentalmente de Capistrano de Abreu: tinha sido um mal que o país tivesse sido construído do interior para a costa, contra as cidades que representavam a metrópole. Entre outras razões, porque a família patriarcal dos sertões tornara-se mais forte do que o Estado. Por isso mesmo, acentuou-se no Brasil a propensão lusitana para confundir os domínios do privado e do público, este constantemente invadido por aquele.
(Alberto Costa e Silva, Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações do Brasil. Em: Carlos Guilherme Mota (org.), Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000): a grande transação. Adaptado)
Os excertos I e II, respectivamente, tratam de