Texto III
Já me enfado de ouvir este alarido,
Com que se engana o mundo em seu cuidado;
Quero ver entre as peles, e o cajado,
Se melhora a fortuna de partido.
Canse embora a lisonja ao que ferido
Da enganosa esperança anda magoado;
Que eu tenho de acolher-me sempre ao lado
Do velho desengano apercebido.
Aquele adore as roupas de alto preço,
Um siga a ostentação, outro a vaidade;
Todos se enganam com igual excesso.
Não chamo a isto já felicidade:
Ao campo me recolho, e reconheço,
Que não há maior bem, que a soledade.
Fonte: Cláudio Manuel da Costa. In: Massaud Moisés. Literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 2000, p. 92
No segundo quarteto do Texto III, o poeta utiliza o termo “apercebido”, derivado do verbo “aperceber”, que significa tomar ciência de algo. As palavras “apercebido” e “percebido” apresentam grande semelhança na forma. Portanto, trata-se de um par de: