Vendo-os assim, sempre mascarados... escondidos... a fala abafada, os olhos por detrás dos óculos, mãos sempre com luvas... Eles parecem seres de outro mundo, que nos visitam quando mais precisamos.
E talvez sejam isso mesmo: para se tornar um profissional da saúde, é preciso muita atenção, dedicação, milhares de horas de estudo e prática. É também atravessar horas e mais horas em pé, noites sem sono, cansaço... tudo para atender a quem precisa.
Ser profissional da saúde é ser, de fato, alguém de outro mundo: construtores de futuro para quem adoece; fazem bater corações que, muitas vezes, já estavam quase perdidos; fazem andar pés que parecem que nunca mais iam tocar o chão novamente; acendem rostos que parecem que nunca mais seriam iluminados por sorrisos.
Não é fácil ser de outro mundo quando os que estão aqui sofrem tanto. Mas esses seres, vejam só, quando olhamos mais de perto, nos surpreendem: porque há rostos por detrás das máscaras! E também olhos, pensamentos, coração... Sentimentos que, assim como a face, precisam ficar escondidos muitas vezes para poder sentir e ajudar os outros que sofrem.
Porém, não se engane: por detrás de tudo isso há sentimentos que, às vezes, brotam em momentos inesperados... medos, angústias, mas também alegrias. Há tudo isso e também existem as famílias que esperam o retorno desses profissionais todos os dias.
Por salvarem vidas e não pedirem nada em troca, podemos até confundi-los com heróis. Mas cuidado: todos os heróis também ficam doentes... ou tristes... E passam por dificuldades. Tudo isso é superado na luta diária para dar mais conforto e recuperar a saúde de quem precisa.
Pode estar certo de que, detrás de cada história de superação, de todo o rosto que sorri recuperado, na gratidão infinita de quem passou por uma doença, está ali a recompensa que faz essas pessoas encararem essa rotina tão pesada de trabalho. É isso que os motiva, que os fazem querer acordar mais um dia, vestir o avental e seguir adiante.
(...) Mesmo esses seres que convivem todos os dias na linha de frente das doenças ainda não conseguem saber ao certo o que vai acontecer.
Mesmo assim, não deixaram de empunhar as suas armas, prepararam seus escudos, levantaram o rosto para encarar o desconhecido. Mesmo quem ainda é apenas um estudante, residente ou estagiário da área da saúde deve mostrar que o "apenas", nesse momento, tem outro sentido, pois também está junto, lado a lado, com aqueles que já encararam outras tormentas, como um igual. Uma força também importantíssima em momentos de crise.
(...)
"... todos os heróis também ficam doentes..."
No fragmento em destaque, o predicado tem igual classificação do predicado sublinhado em: