O mestre-de-campo Inácio Corrêa Pamplona, “bruto e rústico”, conhecedor, provável partícipe e denunciante dos planos inconfidentes, tal e qual um Brancaleone dos trópicos, levava consigo, nas expedições contra os quilombolas, músicos, poetas populares e clérigos. Às barbaridades provavelmente cometidas por seus homens na caça ao “negro fugido”, expressas na extração de alguns “pares de orelhas” como indicadores do êxito da empreitada, sucediam-se sessões de declamação poética, recitais de música e orações que procuravam exaltar os propósitos civilizadores da expedição.
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Tomás Antônio Gonzaga, outrora poderoso ouvidor de Vila Rica, mesmo ocupado com os poemas à sua doce Marília de Dirceu e, provavelmente na segunda metade da década de 1780 já às voltas com “pasquins” e “conspirações literárias” traduzidas na publicação das Cartas Chilenas, não deixaria de encontrar tempo para exercer com certo zelo alguns de seus afazeres de ministro da casa real portuguesa e de ter, assim, obtido a desafeição do Tiradentes, que se queixara dos excessos e “prepotências” do poeta a D. Luís da Cunha Meneses, o tristemente célebre “Fanfarrão Minésio” das mesmas cartas.
(João Pinto Furtado, Imaginando a nação: o ensino da história da Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica. Em: Lana Mara de Castro Siman e Thaís Nívia de Lima e Fonseca (org.), Inaugurando a História e construindo a nação; discursos e imagens no ensino de História)
Os perfis desses dois personagens ligados à Inconfidência Mineira colaboram para a compreensão deste evento como