Magna Concursos
2419707 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Um dia o Velho Ambir quis sentir suas criações. Arrotou e lançou o arroto no mundo para ser seu filho. O arroto girou vagaroso pelos ares, navegando no escuro e olhando as coisinhas mais quentes que pulsavam, vivas, lá embaixo. Viu, então, no meio da penumbra, uns seres maiores que se destacavam, imponentes.

Eram árvores esparsas. Desceu numa delas, entrou bem no cerne. Dali de dentro começou a provar o sentir-se das árvores. Baixou pelas raízes que desciam e com elas comeu terras e bebeu águas. Ergueu-se, depois, com o tronco ereto, orgulhoso de si, subindo e se esgalhando e se abrindo em ramos. Circulou com a seiva e sentiu, lá em cima, a grande fronde de folhas mil, vibrando ao vento.

Muito tempo esteve Maíra gozando, naquele ser esgalhado, folhento, o sentimento de ser árvore. Gostou. Principalmente das palmeiras que sobem eretas para abrir seus leques no mais alto. Dá gosto subir pelo parafuso troncal acima, sentindo a dor das cicatrizes de tantas folhas que morreram para a palmeira crescer e dar cocos.

Daquele capão de mata, Ele fez nascer outro e depois outros e outros, para sentir mais o mundo das árvores. Assim fez a floresta enorme que cresceu e cresceu ainda mais. Por tempos e tempos Maíra verdejou, sentindo o mundo como floresta e fazendo a floresta crescer sobre o mundo.

Darcy Ribeiro. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 149-50 (com adaptações).

Julgue os itens que se seguem, a respeito do trecho do romance Maíra, no qual Darcy Ribeiro narra o nascimento mítico de Maíra, filho do Velho Ambir, deus criador dos índios Mairuns.

A forma vagarosa de narrar adotada pelo autor está associada ao ritmo temporal do mundo mítico narrado.

 

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