“Um mercantilismo de tipo clássico, tardio, mas ajustado à defasagem da sociedade lusa, adequado ao absolutismo reformador que dele se serve como instrumento de aceleração das mudanças. Insere-se, então, como problemática mais profunda, a transição do feudalismo ao capitalismo. Ilustração numa sociedade periférica, longamente fechada sobre si mesma, na qual o movimento ilustrado foi fatalmente uma coisa vinda de fora, do ‘estrangeiro’. Em consequência, diversidade de discursos, ecletismo das formas de pensamento, redefinição das práticas ao sopro de uma realidade que se dobra, mas continua a resistir. Encontro, teoricamente inexplicável, de dois fenômenos que deveriam, a princípio, repelir-se um ao outro: o mercantilismo e a ilustração.”
(CARDOSO, Ciro Flamarion. A crise do
colonialismo luso na América Portuguesa. In. LINHARES, Maria Yedda. História Geral do Brasil. 14ª ed. Rio de Janeiro. Elsevier: 1990. P. 114. Adaptado.)
Infere-se que a citação: