Escola da Família Agrícola de Garibaldi enfrenta dificuldades
Após um ano da inauguração, direção luta para
manter instituição em funcionamento e atender aos
27 alunos de nove municípios.
No dia 27 de maio de 2014, a Escola da Família Agrícola de Garibaldi completou um ano de funcionamento. Atualmente, 27 alunos, de nove
municípios (2 de Barão, 1 de Boa Vista do Sul, 4 de Caxias do Sul, 2 de Farroupilha, 4 de Coronel Pilar, 7 de Garibaldi, 3 de Ipê, 2 de Bento Gonçalves e 2 de Carlos Barbosa) frequentam a instituição que trabalha com a pedagogia de alternância, na qual permanecem uma semana na escola, em regime de internato, e outra em casa com a família, aplicando na prática os conhecimentos. São duas turmas: uma de primeiro ano, com 13 alunos que ingressaram em 2014; e outra de segundo ano, com 14 matriculados desde 2013. Os estudantes são acompanhados por oito professores com pós-graduação, mestrado ou doutorado, sendo que quatro são monitores e dormem na escola.
A EFA Serra Gaúcha foi a realização do sonho de um grupo de agricultores que, em 2011, se reuniu com a intenção de criar uma escola de ensino médio e técnico agrícola para estimular a permanência dos jovens na propriedade rural. Depois de dois anos de pesquisas, entrevistas com cerca de 500 famílias de agricultores e visitas a instituições semelhantes, a ideia foi concretizada e as aulas iniciaram. Na época, além de investimentos federais, estaduais e da iniciativa privada, a promessa era que os municípios que tivessem alunos matriculados na escola contribuíssem com uma verba mensal para ajudar nas despesas dos mesmos, já que cada um custa em média R$ 1,2 mil por mês, considerando gastos com alojamento, transporte e estudos.
Porém, um ano após o início das aulas, a EFA Serra Gaúcha passa por dificuldades financeiras. Conforme a coordenadora geral e uma das fundadoras, Ivone Möllmann Manica, hoje apenas Garibaldi, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar estão contribuindo com R$ 500 por aluno dos municípios, um total de R$ 6 mil. O restante da renda provém dos pais que contribuem com R$ 200 por mês, além de R$ 200 que cada aluno recebe em virtude da participação deles no programa federal do Pronatec Campo. A cada três meses, a escola também recebe uma quantia por aluno, por meio do Fundeb, do governo do Estado. As parcerias com as instituições privadas, firmadas no primeiro ano, ainda não foram renovadas em 2014.
Dificuldades para equilibrar as contas
Em virtude da falta de recursos, Ivone destaca que tem sido difícil equilibrar as contas mensais com aluguel do prédio (R$ 3.180), almoço, transporte dos alunos e salário dos professores. Segundo ela, os estudantes estão trazendo de casa os alimentos que consomem durante a semana, no café da manhã e na janta. “Para não fechar a escola, algumas vezes os administradores já tiraram dinheiro do próprio bolso. A nossa situação está bem complicada”, aponta.
Ivone, que também leciona na EFA, salienta que diversas vezes os professores já tiveram os salários atrasados por mais de três meses. “Nesse ano, tivemos dificuldades para contratar professores, pois eles não queriam trabalhar aqui porque não tinham a certeza que iriam receber no final do mês. No ano passado, a situação era essa. Contudo, nesse ano, não atrasamos nem um dia os salários. Estamos conseguindo pagar em dia”, conta.
Ela comenta que as dificuldades estão sendo superadas, pois a direção e os professores da EFA Serra Gaúcha acreditam que o projeto dará certo no futuro. “A EFASC, de Santa Cruz do Sul, é um exemplo de que essa ideia pode dar certo. No começo, eles também tiveram muitas dificuldades, mas não desistiram e hoje estão muito bem. Nesse momento, estamos focados em conseguir ajuda de todos os municípios que possuem alunos aqui. Isso resolveria a nossa situação”, pontua.
Ivone frisa que os pais são os maiores incentivadores da escola, já que os alunos se mostram interessados e aplicam o que aprendem em aula nas propriedades, melhorando os negócios das famílias.
100% de aproveitamento
Ao final de três anos e meio, o aluno recebe o certificado de conclusão do ensino médio e a habilitação para atuar como técnico agrícola. As aulas teóricas são ministradas na própria EFA Serra Gaúcha e na Faculdade de Integração do Ensino Superior do Cone Sul (FISUL) de Garibaldi.
As aulas práticas são feitas na escola e na propriedade rural da família do aluno. A coordenadora geral da EFASG, Ivone Möllmann Manica, explica que o desenvolvimento dos alunos nesse primeiro ano tem sido notável, com diversas mudanças positivas, inclusive no convívio com as pessoas. “Eles estão muito satisfeitos e percebemos que 70% deles irão mesmo permanecer em suas propriedades rurais, o que é o nosso grande objetivo”. Porém, a coordenadora destaca que a vontade de permanecer na propriedade rural não é um quesito obrigatório para quem deseja ingressar na EFA. “Eles podem estudar aqui para ter uma formação técnica em agricultura. Muitos querem ser veterinários, por exemplo. Aqui eles têm um aprendizado específico e solidificado para que também possam competir em boas universidades”, destaca.
Esse é o caso da estudante Jenifer dos Santos Stumm, 16 anos. Ela iria cursar o segundo ano do ensino médio em uma escola regular quando decidiu que queria ingressar na EFA Serra Gaúcha. Em 2014, ela matriculou-se na instituição e voltou para o primeiro ano. A jovem mora na cidade de Garibaldi e sua família não trabalha com agricultura. Porém, ela conta que seu sonho é se formar em Medicina Veterinária. “Fiquei sabendo da escola e pesquisei mais na internet. Gostei da metodologia de ensino, pois temos áreas voltadas para o que desejo fazer no futuro”, conta ela, frisando o quanto está satisfeita com a escolha. “Estou aprendendo muita coisa que nunca havia me interessado antes e está sendo muito melhor do que eu esperava. Certamente essa formação irá agregar muito para a minha carreira”, completa.
Fonte: http://www.avindima.com.br/?p=6249
As escolas família agrícola são instituições que atuam na educação do campo. Comumente, se utilizam da metodologia pedagógica de formação por alternância para oferta de educação profissional, educação de jovens e adultos, ensino médio e anos finais do ensino fundamental. Se constituem juridicamente como entidades sem finalidade lucrativa, comunitárias, filantrópicas ou confessionais. Julgue as
proposições que indicam as medidas constitucionais que podem favorecer as instituições do perfil da Escola da Família Agrícola de Garibaldi no enfrentamento às suas dificuldades
I – Nada poderá ser feito por parte da União, estados, municípios e do Distrito Federal, pois os recursos públicos serão destinados exclusivamente às escolas públicas, não podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas.
II - Os recursos públicos podem ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei desde que as mesmas comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação.
III - Os recursos públicos podem ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei desde que as mesmas assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades.
IV – Uma das possiblidades pela qual os recursos públicos podem ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei poderá ser na forma de bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.
Está(ão) correta(s):