Fanático por caipirinha. Fanático por samba. Fanático por viagens. Há fanáticos para tudo. Ou melhor, há fanáticos e fanáticos. O problema é que, por ser empregada tão à vontade (aliás, como tantas outras), a palavra fanatismo banalizou-se, perdendo sua força e seu conteúdo. Entretanto, parece óbvio que um “fanático por novela” é algo bem diferente (e bem menos perigoso) que um “nazista fanático”.
Fanático é um termo cunhado no século XVIII para denominar as pessoas que seriam partidárias extremistas, exaltadas e acríticas de uma causa religiosa ou política. O grande perigo do fanático consiste exatamente na certeza absoluta e incontestável que ele tem a respeito de suas verdades. Detentor de uma verdade supostamente revelada especialmente para ele pelo seu deus (portanto não uma verdade qualquer, mas A Verdade), o fanático não tem como aceitar quaisquer discussões ou questionamentos racionais com relação àquilo que apresenta como o seu conhecimento: a origem divina de suas certezas não permite que os argumentos apresentados por simples mortais se contraponham a elas.
Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky. “Fanatismo, fanatismos”. In: Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky (orgs.). Faces do fanatismo. São Paulo: Editora Contexto, 2004, p. 9-10 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, julgue o item.
No termo “um ‘nazista fanático’”, a classificação das palavras e de suas funções sintáticas seriam mantidas se ele fosse reescrito da seguinte forma: um fanático nazista.