Leia o texto para responder à questão.
Solteiro, 38 anos, bom emprego, Jorge não podia, contudo, considerar-se bem sucedido com as mulheres, talvez por causa da timidez. O certo é que sair de casa para frequentar os lugares habituais não lhe proporcionava resultados entusiasmantes. Tinha um ou outro caso, mas nada de paixão arrebatadora. Assim, chegou à conclusão de que as mulheres não se interessavam por ele. Qual o motivo? Não conseguia encontrar uma resposta satisfatória até que alguns amigos tiveram uma iniciativa: a de visitar um vizinho, velho conhecido. Foi com eles, e lá, sentado numa escada de granito, num desconfortável degrau verde- mar, ouviu, pela televisão, a notícia sobre uma pesquisa americana que chegava a uma conclusão surpreendente: as mulheres estavam mais interessadas em homens comprometidos.
Ora, ele sempre pensara o contrário. Tanto que, logo no primeiro encontro, declarava-se desimpedido. Imaginava que isso servisse como atrativo, mas estava equivocado. De modo que tratou de mudar de estratégia. E, para isso, bolou uma esposa imaginária, da qual passava a falar tão logo marcava encontro com uma nova mulher. Júlia Maria, dizia, essa mítica esposa, era uma mulher de 32 anos, linda, inteligente, a companheira ideal. Isso, afirmava ele, se fosse companheira. Não o era. Pessoa egoísta, não dava bola para o marido. Ele só não se divorciava porque a mãe pedira-lhe que não o fizesse. E assim, dizia, ia levando sua penosa existência, buscando outras mulheres que pudessem amenizar a sua desgraça.
Essa história que contava fazia enorme sucesso e mudou sua vida. Agora, frequentemente, choviam mulheres. E foi aí que assumiu um compromisso consigo mesmo: o de não se apaixonar por nenhuma delas. Entretanto, ocorreu um inesperado encontro. Era uma mulher que ele encontrou por acaso, quando chegou de carro a um bar. Olharam-se, uma imediata afinidade surgiu entre eles, começaram a conversar. Ficou, então, imobilizado de tamanha surpresa. Primeiro, porque sentia-se irremediavelmente apaixonado. Depois, porque a moça chamava-se Júlia, tinha 32 anos, era linda, inteligente e, pior que tudo, considerava-se uma companheira ideal.
(Moacyr Scliar. Folha de S.Paulo, 25.10.10. Adaptado)
De acordo com o texto, Jorge