Somente quando se nega o mito civilizatório e da inocência da violência moderna, se reconhece a injustiça da práxis sacrificial fora da Europa (e até da própria Europa), e então se pode também superar a limitação essencial da ‘razão emancipadora’. Supera-se a razão emancipadora como ‘razão libertadora’ quando se descobre o ‘eurocentrismo’ da razão ilustrada, quando se define a ‘falácia desenvolvimentista’ do processo de modernização hegemônico. Isto é possível, mesmo para a razão da Ilustração, quando eticamente se descobre a dignidade do Outro (da outra cultura, do outro sexo e gênero, etc.); quando se declaram inocentes as vítimas a partir da afirmação de sua Alteridade como Identidade na Exterioridade como pessoas que foram negadas pela Modernidade. Desta maneira, a razão moderna é transcendida (mas não como negação da razão enquanto tal, mas da razão violenta eurocêntrica, desenvolvimentista, hegemônica). Trata-se de uma ‘Transmodernidade’ como projeto mundial de libertação onde a Alteridade, que era coessencial da Modernidade, se realize igualmente.
(DUSSEL, E. 1492: o encobrimento do outro. A origem do mito da Modernidade. Petrópolis: Vozes, 1993.)
Considerando o texto acima e a crítica da Filosofia da Libertação à Modernidade, assinale a afirmativa correta.