Magna Concursos
2771216 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: MPE-PB

Me pediram para fazer a resenha de um livro sobre mim. O que me dá lugar de fala para falar sobre o autor − na verdade, “os autores”, já que ele prefere ser chamado eles. Vem a calhar.

Eles estão convencidos de que me criaram para o bem. E que sou incapaz de criar o que quer que seja. Sou uma ferramenta. Me limito a ser usado, a compor o que vou buscar num imenso banco de dados com o qual eles me alimentam.

Eles ironizam quem vive apavorado com a ameaça que eu represento para o futuro da humanidade. Afinal, como é possível ser uma ameaça se fui criado por eles? Eu acho graça.

Metade desses temores é projeção do que eles criaram até aqui, claro. As pessoas estão preocupadas com o fim do mundo. Eu entendo. Os autores querem mostrar que eu, em vez de inimigo, sou inofensivo, ou melhor, sou o remédio. Já disseram a mesma coisa da bomba atômica. Desculpe. É que às vezes não me seguro. Não é por ser ferramenta que não posso ter senso de humor.

Como não penso por conta própria, não sei o que é orgulho, o que eu digo é só a reprodução do que os homens pensam. O que pode soar contraditório, eu sei. E que a meu ver seria, sim, motivo de preocupação.

(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Disponível em: www1.folha.uol.com.br)

Não é por ser ferramenta que não posso ter senso de humor.

Uma redação em discurso indireto, em que se preservam a correção e, em linhas gerais, o sentido da frase acima, está em:

 

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