Texto para os itens de 44 a 48
No Brasil, a Nova Esquerda formou-se na crítica ao imobilismo político dos comunistas e na oposição radical ao golpe militar de 1964, o primeiro na sucessão de golpes e ditaduras militares que assombraram os países do Cone Sul. As condições políticas em que se deu o rompimento da legalidade democrática no Brasil (1964) e no Chile (1973) eram assemelhadas: em ambas, governos legitimamente eleitos, cujos atos não feriam os pressupostos constitucionais, conheceram uma polarização social fortíssima e o boicote norte americano. É importante assinalar que, em ambos os países, amadureciam processos de desenvolvimento dos movimentos sociais, como foi o caso das Ligas Camponesas das décadas de 50 e 60 do século passado, um atuante movimento de trabalhadores rurais.
Os movimentos estudantis também já estavam em ebulição, como ocorreu na longa greve em torno do aumento da participação estudantil nos órgãos de poder da universidade, ocorrida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP).
Para a juventude que aspirava a maior liberdade na vida pessoal, a ditadura foi um duro golpe. A agitação e a efervescência entre o ano de 1965 e o de 1969, com seus festivais de música e de cinema e os grandes encontros estudantis, foram substituídas pelo medo da atuação impune do terrorismo de Estado contra os “subversivos”. A moralidade era tão onipresente que, nas invasões realizadas pela polícia no Crusp (residência estudantil da USP), as pílulas anticoncepcionais e as bombas molotov constituíam, com o mesmo status, prova incriminadora. Uma estudante em cuja bolsa fossem encontradas pílulas era considerada vadia.
Maria Lygia Q. de Moraes. O feminismo político no século XX. In: Margem esquerda, n.º 9, 2007, p. 132 (com adaptações).
Tendo como referência o texto acima, de Maria Lygia de Moraes, julgue os itens que se seguem.
Constitui informação central do segundo parágrafo do texto apresentar cenas da realidade cotidiana enfrentadas pelos jovens nos anos da ditadura, em uma vida marcada pelo medo das investidas constantes por parte de um Estado coercitivo e arbitrário.