A Modernidade, para designar o período histórico pós-renascentista, é a expressão do próprio espírito de um tempo ansioso pela superação dos dogmas e das limitações medievais. O século XVII é, portanto, o momento de eclosão de vários desses anseios, que, sob condições peculiares, permitiu o florescimento de uma nova dimensão social e econômica, especialmente na Europa, onde o espírito da modernidade vem associado à ideia de progresso.
Ao termo modernidade pode ser associada uma variedade de outros termos, que, em seu conjunto, acabam por traçar as características semânticas que contornam as dificuldades de se definir modernidade: progresso; ciência; razão; saber; técnica; ordem; soberania; controle; unidade; Estado; indústria; centralização; economia; acumulação; individualismo; liberalismo; universalismo.
Ora, esses termos não estão aleatoriamente vinculados à ideia do moderno, pois surgiram com a modernidade e foram sustentados, em seu nascimento, por ideologias e práticas sociais que se afirmam como sustentáculos dos novos tempos, saudados, com muita efusividade, pelas gerações ambiciosas pela sensação (hoje tida como ilusória) da liberdade prometida pela modernidade.
É exatamente isso que faz com que a associação entre o que é dito “moderno” e o que é dito “progressista” se costure, visto que esses termos se misturam no contexto de formação, estruturação e avanço da modernidade.
Andytas Soares de Moura Costa. Filosofia do direito e justiça na obra de Hans Kelsen. Belo Horizonte: Del Rey, 2006, p. 23-4 (com adaptações
Acerca do texto acima, julgue o item que se segue.
A retirada da expressão “Ora” preservaria as relações semânticas e coesivas do texto, mas alteraria o efeito discursivo do terceiro parágrafo.