Queixa-se o poeta em que o mundo vay errado, e querendo emendâlo o que tem por empreza difficultosa.
Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo
Gregório de Matos. Crônica do viver baiano seiscentista – obra poética completa – códice James Amado. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Record, V. 1 1999, p. 347.
Considerando o texto acima, de Gregório de Matos, julgue o item.
Os termos “passadas” (v.2) e “pisadas” (v.6) foram empregados metaforicamente, com perda dos traços semânticos de evento, os quais estão presentes nos correlatos verbais.