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2507124 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Juatuba-MG
Eles também têm anorexia
O barulho na imprensa induz muita gente a pensar que anorexia é “coisa de mulher”, além de os homens também estarem sujeitos à doença. O número de rapazes com distúrbio teve um acrescimento inédito. Para ter uma ideia do avanço da doença entre os homens, no primeiro semestre deste ano eles ocuparam mais da metade dos leitos do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Temos dez vagas para internação, e seis estavam com rapazes entre 18 e 28 anos. Hoje as meninas são maioria, mas todos os garotos continuam fazendo o tratamento ambulatorial”, diz o coordenador do grupo de meninos do Ambulim, Raphael Cangelli Filho. Além do número elevado de homens, também assustou a condição física com a qual eles chegaram, muitos debilitados, segundo o psicólogo.
“Durante anos acreditou-se que a anorexia e a bulimia eram transtornos exclusivamente femininos. Por isso, os homens poderiam não estar sendo corretamente diagnosticados. É preciso acabar com a falsa crença de que são doenças de jovens ricas” diz a psicóloga Alexandra M. Araújo, da Academy for Eating Disorders, órgão internacional que estuda distúrbios alimentares.
A anorexia masculina, segundo os especialistas, é igual à feminina. E, como no caso delas, uma das grandes culpadas por seu crescimento entre os rapazes é a valorização excessiva do corpo.
“Os homens passaram a se preocupar mais com a aparência física. A mídia transmite diariamente mensagens que associam jovens magros e musculosos à ideia de beleza, sucesso e aceitação social”, diz Alexandra. Para Cangelli, o que esses jovens têm em comum são dificuldades sociais, timidez excessiva e distorção da própria imagem.
A perda excessiva de peso traz consequência muito grave nos homens. “Eles apresentam sintomas relacionados à desnutrição, como desmaios frequentes, perda de memória e braquicardia [redução dos batimentos cardíacos]”, diz Cangelli. Também causa disfunção endócrina, que leva à diminuição da libido e disfunção sexual. De acordo com a psicóloga Alexandra, os rapazes podem sofrer também de osteopenia e osteoporose. “No caso dos adolescentes, ainda há um significativo atraso no crescimento, depressão, transtornos de ansiedade, aumento do risco de tentativa de suicídio e abuso de substâncias.”
Para tratar a doença, o primeiro passo é acabar com o preconceito. Os critérios de diagnóstico são os mesmos, mas os homens parecem ter mais dificuldade em procurar ajuda. “Além disso, a maioria das equipes está mais preparada para acompanhar pacientes do sexo feminino”, diz o coordenador do ambulatório da Unicamp. Feito o diagnóstico, é preciso ajuda especializada.
“É fundamental procurar um profissional da área de saúde para passar por um tratamento especializado, com uma equipe multidisciplinar. Ela deve ser composta por, pelo menos, um psiquiatra, um psicólogo e um nutricionista”, diz Alexandra. E, quanto mais cedo a anorexia for diagnosticada, aumentam as chances de o tratamento dá certo.
(MATTIUSSI, Luciana. Galileu, nº 198. p. 17. Jan. 2008.)
Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam dígrafo.
 

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