Praias deslumbrantes, a linda igrejinha branca da praça central conhecida como Quadrado, as casas coloridas que hoje vendem peças de grifes caras, restaurantes badalados e links de sites de fofoca comentando as festas de réveillon que concentram o maior PIB do país. Essa é a Trancoso que você já conhece. (...) Mas logo ali, nos bairros mais afastados, uma população que ficou quase uma década invisível começa a aparecer. Em bolsões de pobreza isolados, famílias nativas convivem com trabalhadores remanescentes do plantio de cacau — extinto pela praga vassoura-de-bruxa — e das antigas madeireiras, proibidas de funcionar na região. Todos eles são migrantes atraídos por uma cidade que começava a despontar no mapa do turismo, mas que ainda não estava preparada para absorver tanta mão de obra desqualificada. (...) Por meio de pessoas como Lia, a cidade começa a se mobilizar para evitar o colapso. Presidente da SAT (Sociedade Amigos de Trancoso), ela tomou as dores da cidade: “Sinto que essa é uma espécie de missão que me cabe. Quero aproveitar o contato que tenho tanto com a Trancoso dos bacanas quanto com a nativa para ajudar esse lugar a evoluir de forma sustentável. A cidade tem de crescer, mas não está interessada no turista que chega procurando apenas o glamour e não se importa em deixar seu lixo chique na areia”, diz. “Imagina que bacana se eu conseguir implantar pequenas fabriquetas de sabonete, por exemplo. As pousadas daqui não teriam de comprar de outras cidades, e muitos outros empregos seriam gerados”, teoriza. Um dos grandes desafios para melhorar a situação de Trancoso é a qualificação dos empregados.
A Trancoso que ninguém viu – crescimento desordenado
ameaça um dos pontos mais glamourosos da Bahia e mobiliza
locais. In: Revista Trip, n.º 176, abril/2009 (com adaptações).
A respeito das ideias do texto e aos impactos gerados pela atividade turística, julgue o próximo item.
Para resolver a questão do planejamento turístico da região é suficiente adotar o modelo do Invitur, metodologia de inventário turístico indicada e adotada pelo Ministério do Turismo.