Leia o trecho a seguir:
Magia, anzóis e DNA: o que médico da floresta que desvendou mistério no fundo do rio Amazonas pode ensinar à ciência

Neurocirurgião de Santarém Erik Jennings compartilha suas soluções para cuidar da saúde dos povos amazônicos e localizar desaparecidos nos rios da região. Foto: arquivo pessoal.
Eram dez horas de uma noite de domingo em Santarém. Um médico admirava a lua cheia, refletida nas águas calmas do rio Tapajós, quando o telefone tocou.
"Doutor, aqui é o Augusto Sena, o Guto. Vamos ali em Oriximiná buscar uma paciente de dez anos de idade que sofreu um acidente? O avião está pronto e vou decolar em trinta minutos. O senhor pode dar essa ajuda?"
Guto era um piloto experiente e o médico tinha total confiança nele. Mas... como estaria a paciente? E o avião, estaria autorizado a voar à noite? Seria adequado para o transporte médico?
Inútil ponderar sobre isso. Ele sabia que o velho Guto iria buscar a criança a qualquer custo, com ou sem sua ajuda.
"Tudo bem, Augusto, vamos lá."
A história acima, verídica, é contada no livro Paradô: Histórias Vividas por um Neurocirurgião da Amazônia, escrito por Erik Jennings Simões – o médico que atende ao telefonema do piloto Guto.
Publicado em tiragem modesta (1 mil exemplares), já aguardando segunda edição, o livro reúne casos vividos pelo médico ou relatados a ele, além de reflexões pessoais sobre a medicina e a vida na Amazônia. O efeito geral é de uma porta se abrindo para um mundo de riqueza e diversidade, praticamente desconhecido pela maioria dos brasileiros.
Erik, de 50 anos, é um entre cinco neurocirurgiões atendendo mais de 1 milhão de pessoas distribuídas por uma área superior a 500 mil quilômetros quadrados. Nessa região, caberia um país como a Espanha.
[...] o médico comenta algumas das crônicas do livro e compartilha com a BBC News Brasil soluções que encontrou para o desafio de cuidar da saúde do povo do Baixo Amazonas. Entre elas, aprender a falar tupi guarani e adaptar anzóis para uso como instrumento cirúrgico.
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Saúde na Amazônia: o neurocirurgião que ficou em Santarém
O sobrenome de Erik Jennings vem de seus antepassados, americanos confederados (escravocratas sulistas) derrotados na Guerra Civil dos EUA que se refugiaram em Santarém em 1867.
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É uma das regiões mais belas do mundo, mas para a saúde, traz desafios, diz à BBC News Brasil Hebert Moreschi, administrador do Hospital Regional do Baixo Amazonas do Pará, um dos hospitais da cidade. São quatro ao todo, dois deles públicos.
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Antes, era comum pacientes da região serem transferidos para grandes cidades para receber tratamento, conta Moreschi. Não mais.
"Hoje, podem ser atendidos pelo Erik e pela equipe dele", explica. "Operam tumores e fazem cirurgias de coluna, por exemplo."
"Ele é extremamente conceituado, tecnicamente excelente. Poderia estar atuando em qualquer lugar do mundo, mas por opção, quis ficar na região de origem dele."
Erik diz que se sente mais realizado em Santarém. Na cidade grande, pondera, é mais difícil ver o valor social do seu trabalho.
Por outro lado, as exigências sobre ele e seus colegas são maiores do que nas grandes capitais brasileiras.
"A Amazônia é um dos piores lugares do mundo na relação médico por habitante. Nos igualamos a países subsaarianos", diz o médico. [...]
(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-49455353. Acesso em 31 de agosto de 2019.)
A notícia que você acabou de ler foi publicada por BBC News | Brasil, em 31 de agosto de 2019. Sobre o trecho da notícia, responda às próximas duas questões.
Preencha os parênteses com F (quando a afirmação for falsa) ou V (quando a afirmação for verdadeira) e assinale a alternativa correta:
( ) Dr. Erik e sua equipe atendem pacientes em operações de tumores e cirurgias de coluna.
( ) O médico escreveu um livro, contando histórias sobre sua vivência na Amazônia.
( ) O médico considera a Amazônia um dos melhores lugares do mundo na relação médico por habitante.