Magna Concursos
1225644 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CETREDE
Orgão: JUCEC
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Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas

mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana

está condenada. "Gostaria de ser mais esperançoso", ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto

caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade.

Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de

coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a

chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse – guerra, fome, pestilência e morte – parece deixá-lo

animado. "Será uma época sombria", reconhece. "Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem

emocionante."

Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040,

o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando

em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing

(deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que

milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. "Os chineses não terão para

onde ir além da Sibéria", sentencia Lovelock. "O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra

entre a Rússia e a China seja inevitável." Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa,

virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para

cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes - Canadá,

Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.

Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas como a

América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius - quase o dobro das previsões mais

prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a

organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. "Nosso futuro", Lovelock

escreveu, "é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranquilamente sobre as

cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane". E trocar as lâmpadas de casa

por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases

responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é

considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. "Verde",

ele me diz, só meio de piada, "é a cor do mofo e da corrupção”.

Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem

devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as ideias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um

aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento

ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida

como Gaia - a ideia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está "vivo". Essa

visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na

Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é "uma das mentes científicas mais

inovadoras e rebeldes da atualidade". [...]

[Segmento de: “Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz cientista” - Por Jeff Goodell (http://rollingstone.uol.com.br - acessado em: 27/01/2015)]

Acentuam-se devido à mesma regra de acentuação gráfica as seguintes palavras do texto:
 

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