A substituição do ecletismo pelo modernismo na arquitetura brasileira tem sido objeto de estudos de história da arquitetura que visam o entendimento da combinação de fatores locais, nacionais e internacionais no que pode ser denominado de transição que ocorreu na década de 1950. Chaves assim analisa as modificações na cidade de Belém:
O ano de 1930 pode ser considerado como o início de uma longa etapa de transformações que a cidade de Belém esperava depois da fase de paralisação dos anos vinte. A mudança de governo instaurada depois da Revolução de 1930 estimulou as idéias de renovação e de reestruturação da atividade comercial, que se concentrava essencialmente na área do centro da cidade. Essa atividade passou a ser explorada na Avenida 15 de Agosto, que conectava o centro comercial aos bairros em crescimento e expansão e era um eixo que se beneficiava de sua proximidade ao porto e à rampa construída para servir de pista para os hidroaviões da empresa “Pan Air do Brasil”, que a partir de 1920 aterrissavam nas águas da baía do Guajará.
A atenção do governo de Magalhães Barata a partir de então, dirigia-se à ocupação da Avenida 15 de Agosto. É em sua extensão que se pode observar a evolução de uma arquitetura intimamente ligada à nova diretriz política de modernização que o governo central estabelece em todo o país, através da construção das novas sedes das instituições públicas. É também nesta avenida que empresários e comerciantes instalarão seus negócios, incentivados pelas medidas tomadas pelo poder público para torná-la mais atraente e adequada aos novos edifícios que ali surgiriam. Edifícios que nos anos trinta seguiam a tendência a manter a linguagem do ecletismo, característica de algumas das obras atribuídas aos construtores nesse período. Outros edifícios expressavam a prática fundada sob uma evidente racionalidade que já anunciava as construções da próxima geração de engenheiros e construtores como o “Central Hotel” de 1938, construção atribuída ao proprietário Salvador Souza, ou o “Avenida Hotel”, de início dos anos quarenta.
Do ponto de vista político, a modernização que impulsionava o Estado não implicaria uma transformação profunda e ampla da estrutura social, mas adaptaria o conjunto das instituições a um determinado modelo de desenvolvimento. Esse modelo estava apoiado na eficácia e a racionalidade das ações estatais em função da consolidação do processo industrial no país. Nesse sentido, a modernização não se confunde com a ampliação dos serviços coletivos para usufruto dos cidadãos, mas sim amplia o espaço de atuação das instituições, tendo os edifícios escolares uma importante função para alcançar esse objetivo (CHAVES, 2008).
Sobre as modificações tecnológicas, estéticas e funcionais que possibilitaram as mudanças assinaladas é CORRETO afirmar: