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Tecnologia do bem
Teoricamente, notebooks, smartphones e outras ferramentas tecnológicas devem ajudar as pessoas a executar tarefas mais rapidamente e com menor esforço. Mas, quando usada incorretamente, a tecnologia deixa de ser uma aliada e se torna inimiga. A ideia de que é possível manter-se o tempo todo em contato com o ambiente de trabalho, por meio de computadores pessoais ou de celulares, aumenta a ansiedade e a carga de tarefas realizadas fora do escritório — tarefas essas que, muitas vezes, poderiam ter sido eliminadas durante o expediente. “Achávamos que os avanços da tecnologia ajudariam a estender os momentos de lazer, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário”, diz Anderson Sant'Anna, da Fundação Dom Cabral. “O tempo dedicado aos problemas corporativos aumentou”, diz.
Antonio Lemos, gerente de vendas da Voith do Brasil, empresa de soluções gráficas, é desses profissionais que não conseguem desconectar: nunca desliga o celular, checa e-mails corporativos nos fins de semana e entra em contato com colegas de trabalho de madrugada. “Não me incomodo de estar online o tempo todo, uso qualquer brecha de tempo livre para ser mais produtivo”, diz Antonio. Esse uso desenfreado, no entanto, pode prejudicar a qualidade de vida. [...]
Para usar a tecnologia a seu favor e não se tornar um escravo dela, o ideal é estabelecer horários (e locais) para acessar a caixa postal corporativa e atender a chamados do escritório. O especialista em gestão de tempo Paulo Kretly, da consultoria FranklinCovey, aconselha: “Cheque os e-mails de trabalho apenas durante o expediente e estabeleça prioridades para as respostas. Usar assertivamente a tecnologia demanda reeducação e controle da ansiedade”. A mudança de hábito é mais difícil em empresas com cultura imediatista — se a liderança espera que você esteja sempre disponível, responder a um telefonema às 3 da manhã não é um favor, mas, sim, uma obrigação. Nesses casos, o melhor a fazer é estimular a mudança aos poucos. “Se houver abertura, converse com a chefia e mostre que é preciso ter tempo para as respostas, ainda mais quando você estiver fora do escritório”, diz Carlos Honorato. “As lideranças precisam começar a usar a tecnologia a serviço das pessoas, e não o contrário”, completa.
(TOZZI, Elisa. Por que ainda trabalhamos tanto? Vocesa.com.br.
São Paulo, ed.142, abr. 2010, p. 35-36. Adaptado.)
“Teoricamente, notebooks, smartphones e outras ferramentas tecnológicas devem ajudar as pessoas a executar tarefas mais rapidamente e com menor esforço. Mas, quando usada incorretamente, a tecnologia deixa de ser uma aliada e se torna inimiga.”
O advérbio “teoricamente”, no texto, indica: