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1324290 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: UFSC
Orgão: UFSC
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Texto 1
A irmandade do sótão
De onde vêm as ideias para contos, novelas e romances? Trata-se de uma pergunta antiga, tão antiga quanto são os contos, as novelas, os romances, os poemas, as peças de teatro – tudo enfim que brota da cabeça de pessoas, de certas pessoas, ao menos, como resultado daquilo que chamamos de inspiração. E antigas são também as explicações a respeito. Particularmente interessante é aquela que nos proporciona a mitologia grega: o desencadeamento do processo criativo resultaria da ação das musas, figuras etéreas que, amavelmente, se apossavam de um poeta, de um artista, e o conduziam pelo caminho da criação. [...]
No processo de criação artística havia uma inversão: o homem já não era o detentor da semente; competia-lhe ser fecundado e dar à luz uma obra de arte. Mas não existiam artistas mulheres? Claro que sim; e os próprios gregos nos dão um exemplo, com a poetisa Safo, que viveu por volta do sexto ou sétimo século a.C. Mas Safo era um caso especial, inclusive pela conotação homoerótica que muitos veem em seus poemas (a palavra “lésbica” vem de Lesbos, a ilha em que ela vivia); certamente se tratava de uma mulher liberada – a exceção, não a regra. A principal função da mulher era criar a prole, cuidar da casa, em suma, proporcionar ao homem a retaguarda que lhe permitisse desenvolver suas atividades, no campo, no comércio, na guerra, na arte, na medicina e até mesmo na culinária: durante muito tempo os chefs mais famosos foram homens. O trivial ficava por conta da mulher; a inspiração culinária e a criação de novos pratos eram só para homem. Mas, claro, as mulheres eram chamadas de “musas” e ditados como “atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher” eram repetidos como uma espécie de prêmio de consolação. De valor duvidoso: era “atrás” do grande homem que a mulher, ainda que grande, se colocava. Atrás, não ao lado, e muito menos acima.
Aos poucos as coisas foram mudando. As mulheres já não se resignavam ao papel de inspiradoras; queriam, elas próprias, criar. E foram conseguindo seu espaço, mas, no início, de forma limitada. No caso da literatura, não poderia ser na narrativa épica ou no romance. Não, teria de ser uma coisa mais íntima, menor, mais limitada.
O gênero de Safo: a poesia. Mulheres começaram a escrever poemas, dentro de um estilo de vida resumido na fórmula “a louca no sótão”. Fórmula apropriada: o sótão é mesmo um compartimento isolado, o lugar onde são guardadas coisas velhas e às vezes esquisitas. Ter “macaquinhos no sótão” é uma antiga expressão que designa maluquice. [...]
As coisas mudaram por completo. Pode-se dizer, sem medo de errar, que literatura é hoje um território predominantemente feminino, tal o número de escritoras e de leitoras. E o triunfo estará completo quando algum afortunado cavalheiro for nomeado “muso” das letras.
(Adaptado de SCLIAR, M. A irmandade do sótão. Mente & Cérebro, São Paulo, ano 16, n. 198, p. 82,
jun. 2009)
Identifique se são verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas com relação aos verbos do texto 1.
( ) “era” é um verbo que designa ação passada e concluída.
( ) “vêm” é um verbo de terceira pessoa do plural, concordando com “ideias”.
( ) “são” concorda com o sujeito “explicações”.
( ) “viveu” indica fato passado e concluído.
( ) No período “E o triunfo estará completo quando algum afortunado cavalheiro for nomeado ‘muso’ das letras”, os verbos sublinhados indicam ideia de futuro.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
 

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