Texto para a questão.
(Fragmento do artigo científico do linguista José Luiz Fiorin)
LÍNGUA, IDENTIDADE E FRONTEIRA
As reflexões deste texto foram suscitadas pelo filme Língua: vidas em português, de Victor Lopes, que trata da presença da língua portuguesa em diferentes continentes, em contextos culturais muito diversos (Portugal, Moçambique, Índia, Brasil, França, Japão), e, portanto, de sua diferenciação, já que ela foi reinventada centenas de vezes por colonizadores, imigrantes, colonizados, etc. Isso é feito mostrando o cotidiano de personagens anônimas ou ilustres (por exemplo, Mia Couto, José Saramago, Martinho da Vila, João Ubaldo Ribeiro). Diz Mia Couto: “No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas.”. Daí o titulo Vidas em português. O foco sobre o qual incide o filme é então a identidade da língua portuguesa, mas também SUA variedade (sotaques e diferenças lexicais, sintáticas, etc.). A cantora Teresa Salgueiro explica: “Falamos a mesma língua, mas ela não é falada da mesma maneira.”. Saramago, diante da diversidade do português, afirma: “Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”. O documentário quer mostrar que o português não é uma língua uniforme e estática, assim como não são uniformes e estáticas as sociedades que se valem DELE em seu cotidiano. O que o diretor pretende é reconstruir os caminhos da língua portuguesa, mostrar como ela chegou a cada lugar do mundo em que é falada, como os habitantes de uma região se apropriaram dela e como a reinventaram.
O que importa é a memória armazenada na língua, pois um idioma é a condensação da história de um povo, das influências que ELE sofreu, dos seus desejos, de suas expectativas, de seus preconceitos, do modo de ser sua gente, de sua música, de sua literatura. [...].
Fonte: FIORIN, J. L.. Língua, identidades e fronteiras. Revista Diversitas, v. 1, p. 147-164, 2013. (texto adaptado)
As formas pronominais destacadas no texto – “sua”; “dele”; “ele” – referem-se respectivamente a: