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1265537 Ano: 2019
Disciplina: Francês (Língua Francesa)
Banca: DSEA UERJ
Orgão: UERJ
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O QUE NOSSAS METÁFORAS DIZEM DE NÓS

Para o poeta Robert Frost, a vida era um caminho que passa por encruzilhadas inevitáveis; para Fernando Pessoa, uma sombra que passa sobre um rio. Shakespeare via o mundo como um palco e Scott Fitzgerald percebia os seres humanos como barcos contra a corrente. Metáforas como essas nos rodeiam, mas não só quando seguramos um livro nas mãos. Em nosso uso cotidiano da língua, elas são tão presentes que nem sequer percebemos. São exemplos “teto de vidro impede a carreira das mulheres”, “a bolha do aluguel”, “cortar o mal pela raiz”. Considerada a forma por excelência da linguagem figurada, a metáfora às vezes é tida como mero embelezamento do discurso.

Entretanto, desde 1980, com a publicação do livro Metáforas da vida cotidiana, essa figura retórica recuperou seu protagonismo. Os autores George Lakoff e Mark Johnson mostraram que as alegorias desenham o mapa conceitual a partir do qual observamos, pensamos e agimos. Com frequência são nossa bússola invisível, orientando tanto os gestos instintivos que fazemos como as decisões mais importantes que tomamos. É muito provável que aqueles que concebem a vida como uma cruz e os que a entendem como uma viagem não reajam da mesma forma ante um mesmo dilema. As metáforas são ferramentas eficazes e de múltiplas utilidades. Ao partir de elementos já conhecidos, nos ajudam a examinar realidades, conceitos e teorias novas de uma maneira prática. Também nos servem para abordar experiências traumáticas nas quais a linguagem literal se revela impotente. São vigorosos atalhos que a mente usa para assimilar situações complexas em que a literalidade acaba sendo tediosa, limitada e confusa. É mais fácil para nós entender que a depressão é uma espécie de buraco negro e que o DNA é o manual de instruções de cada ser vivo.

As figurações dão coesão às identidades coletivas, pois circulam sem cessar até se incorporarem à linguagem cotidiana. Há alguns anos, os psicólogos Paul Thibodeau e Lera Boroditsky, da Universidade Stanford (E.U.A.), analisaram os resultados de um debate sobre políticas contra a criminalidade que recorria a duas metáforas. Quando o problema era ilustrado como se houvesse predadores devorando a comunidade, a resposta era endurecer a vigilância policial e aplicar leis mais severas. No entanto, quando o problema era exposto como um vírus infectando a cidade, a opção era a de adotar medidas para erradicar a desigualdade e melhorar a educação. Comparações ruins levam a políticas ruins, escreveu o Nobel de Economia Paul Krugman.

No campo da medicina, tem havido mudanças de paradigma no que diz respeito ao impacto emocional das metáforas. Num recente seminário organizado pela Universidade de Navarra (Espanha), a linguista Elena Semino dissertou sobre os efeitos de abordar o câncer como se fosse uma guerra, provocando sensações negativas quando o paciente acredita estar “perdendo a batalha”, mesmo que isso possa ser estimulante para outros. O erro, segundo a especialista, reside em misturar os campos semânticos da guerra e da saúde. Para corrigir essa questão, a linguista elabora o que chama de “cardápio de metáforas”, para que médicos e pacientes enfrentem a doença de forma mais construtiva.

As boas metáforas nos trazem outras perspectivas, fronteiras menos rígidas e novas categorizações que substituem aquelas já desgastadas.

MARTA REBÓN

Adaptado de brasil.elpais.com, 11/04/2018.

LE POUVOIR DES MÉTAPHORES

Quels effets les métaphores ont-elles en politique? On sait qu’elles sont utiles pour évoquer des tabous: on réfère, par exemple, à la mort en parlant d’un voyage ou d’un repos éternelA). Des chercheurs d’un ensemble de groupes de réflexion et d’organismes progressistes ont analysé les réactions des gens aux métaphores économiques.

Ils ont observé qu’à la suite de la dernière crise économique, les politiciens ont misé sur une analogie qui a porté ses fruits. On avait atteint la limite de notre carte de crédit nationale et il était temps de se serrer la ceintureB): couper dans les futiles programmes de justice sociale. Cette métaphore a servi de base à la politique d’austérité.

Pour comprendre comment cette métaphore a pu fonctionner, il faut d’abord connaître la perception qu’a la population de l’économie. On suggère que les gens pensent qu’elle est gouvernée par des forces mystérieuses et impénétrables qui la rendent instable, et qu’on la voit comme un coffre, dans lequel des gens ajoutent et d’autres prennent. Par conséquent, il n’est pas difficile de comprendre que cette perception répandue ait permis aux politiciens de gagner des élections en affirmant qu’une certaine classe de gens (notamment les personnes qui bénéficient de l’aide sociale ou les immigrants) ne veut que puiser dans “le coffre”. Sans compter qu’à répéter infiniment que l’économie est complexe, les citoyens ordinaires en viennent à se sentir impuissants.

Cette vision basique a aussi engendré le sentiment très fort que l’économie est trafiquée ou que la presse et les politiciens mentent constamment et que rien ne peut être fait contre cette implacable réalité, et on conclut que l’avidité fait partie de la nature humaine. Malgré le sentiment que le gouvernement devrait s’attaquer aux problèmes, le fatalisme finit par gagner largement la population.

Les chercheurs donnent en exemple deux métaphores que les militants contre l’austérité pourraient utiliser pour se défaire de ce tenace sentiment d’impuissance. Le premier fait appel à la programmation informatique: l’économie a été délibérément programmée d’une façon, mais nous avons le pouvoir de la reprogrammer autrementC). Le deuxième exemple porte sur les aspirations des citoyens et d’une société, en comparant les stratégies économiques à des voies ferréesD). Pendant des décennies, nous avons construit des voies qui mènent vers la recherche de profits, qu’accapare une minorité d’entre nous, plutôt que vers nos réels besoins. Mais on peut construire de nouvelles voies vers une autre direction, vers ce que nous voulons.

On a parfois l’impression que se servir des mots pour faire réagir la population n’est qu’une autre forme de mensonge politique. Il est vrai que les formules efficaces sans réelles solutions empoisonnent le discours. Mais, entre les mains de personnes qui souhaitent sincèrement changer le monde, il ne fait aucun doute que les métaphores, présentées avec conviction, sont des armes puissantes.

Adaptado de vice.com.

Dans le texte O que nossas metáforas dizem de nós, on affirme: “comparações ruins levam a políticas ruins”.

Le passage du texte Le pouvoir des métaphores qui illustre cette idée est présenté dans:

 

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