O Crisóstomo começou a pensar que os filhos se perdiam, por vezes, na confusão do caminho. Imaginava crianças sozinhas como filhos à espera. Crianças que viviam como a demorarem-se na volta para casa por terem sido enganadas pela vida. Acreditou que o afeto verdadeiro era o único desengano, a grande forma de encontro. A grande forma de família.
[...]
Decidiu que sairia à rua dizendo às pessoas que era um pai à procura de um filho. Queria saber se alguém conhecia uma criança sozinha. Dizia às pessoas que vivia no bairro dos pescadores, porque era um pescador, e dizia que os amores lhe tinham falhado, mas que os amores não destruíam o futuro. Pensava que em algum lugar na pequena vila haveria alguém à sua espera como se fosse verdadeiramente a metade de tudo o que lhe faltava. E muito pouco lhe importava o absurdo, tinha nada de vergonha e sonhava tão grande que cada impedimento era apenas um pequeno atraso, nunca a desistência ou a aceitação da loucura.
Pensava que quando se sonha tão grande a realidade aprende.
Valter Hugo Mãe. O filho de mil homens. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 9 (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.
As formas verbais “Decidiu” e “Pensava” têm o mesmo referente: “Crisóstomo”.