“Na primavera de 1944, quando cheguei em AuschwitzBirkenau com minha família, minha irmã gêmea e eu fomos arrancadas dos braços de nossa mãe e nos tornamos parte de um grupo de 1500 irmãos gêmeos usados por Mengele nos seus muitos experimentos mortais. (...) No início de Julho, 1944, injetaram em mim algum tipo de germe. Na noite do mesmo dia eu fiquei muito doente. Tive uma febre muito alta e fiquei tremendo. Eu quase não podia me mexer ou pensar. Na minha visita seguinte ao laboratório de sangue, não me amarraram como de costume mas mediram a minha temperatura. (...) Minha febre estava muito alta e então fui mandada para o hospital. Mengele vinha me ver duas vezes por dia com quatro outros médicos. Ninguém me dava comida, água ou medicamentos.(...) Fiz um voto em silêncio de que lutaria com todo meu ser para sobreviver. Hoje eu sei que se eu tivesse morrido, Mengele teria matado minha irmã com uma injeção de fenol em seu coração e teria feito autopsias em nossos corpos, comparando os meus órgãos doentes com os de minha irmã.”
CAPLAN, Arthur L. Quando a medicina enlouqueceu: A Bioética e o Holocausto. Portugal: Instituto Piaget, 1997.
A experiência relatada acima contraria os aspectos sociais da ética em pesquisa envolvendo seres humanos, definidos pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, e os princípios fundamentais de Bioética ditados pela UNESCO porque a relevância social de uma pesquisa pressupõe