Em algum momento da vida, praticamente todo ser humano pergunta a si mesmo: "Quem sou eu?" Tanto a mitologia quanto a religião se preocuparam em buscar respostas para essa inquietação, assim como a filosofia também. Leia o texto que segue e responda a questão.
Corpo e alma.
A partir do século V a.C., Sócrates põe o ser humano sob o foco do pensamento filosófico grego. Afirma-se que ele adotou como lema de sua prática filosófica a inscrição que ficava no portal do famoso Oráculo de Delfos, templo dedicado ao deus Apolo: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os homens, o mundo e os deuses". Essa inscrição considera o ser humano como a fonte de todo o conhecimento e o meio pelo qual é possível conhecer os outros, o mundo e até os deuses, uma vez que aquela exigência única fosse cumprida por meio da prática filosófica para Sócrates, uma forma de autoconhecimento, a vida, examinada e investigada se tornaria mais digna de ser vivida.
Ainda na Antiguidade, dois filósofos deram importantes contribuições para a incógnita em torno do ser humano: Platão e Aristóteles.
Platão afirmava que o ser humano é composto de um corpo físico, material, imperfeito e mortal, e de uma alma, imaterial, perfeita e imortal. Não se pode pensar no ser humano apenas como um corpo, nem apenas como alma; ele é a ligação indissolúvel entre os dois. Precisa, no entanto, ser conduzido pela alma, sede da razão e do pensamento, para que sua vida não se perca nas imperfeições. Platão adverte que a ideia de sermos guiados pela alma não significa uma negação do corpo, por isso, deve-se cuidar dele. É a ginástica do corpo que possibilita a ginástica da alma, proporcionadas pelas reflexões filosóficas. Além disso, uma vez controlados os instintos e as paixões do corpo, a alma pode dedicar-se às ideias.
Sem se afastar do dualismo corpo-alma exposto por Platão, Aristóteles avançou bastante nos estudos filosóficos sobre o ser humano. Desenvolveu uma teoria na qual distingue os vários atributos da alma, sendo a razão o mais importante deles, por ser encontrada apenas nos seres humanos. Definiu o ser humano como um "animal racional' e um 'animal político". Ao afirmar isso, Aristóteles quer dizer que o homem é dotado de pensamento e de linguagem. Para designar tal característica, ele usava a palavra grega lagos, que tanto significa 'razão', 'pensamento', quanto 'palavra', 'linguagem'. Isso porque os gregos antigos afirmavam que o ser humano pensa por meio da linguagem, que pensamento e linguagem estão entrelaçados.
Dessa primeira definição decorre a segunda: se somos seres de linguagem, se nos comunicamos com aqueles que são iguais a nós, então com eles compartilhamos a vida. Por isso, somos seres sociais, políticos, que não apenas vivemos em comunidade, mas que só nos realizamos plenamente na vida política.
Na Idade Média, a filosofia estava profundamente ligada à religião. A Igreja utilizava argumentos filosóficos para reforçar os ensinamentos cristãos. O ser humano era considerado criação e instrumento de Deus. Sendo assim, o mais importante era conhecer aquilo que o criador esperava da criatura. A pergunta então não era "quem sou eu"?, Porém, "como Deus quer que eu seja?".
Fonte: GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. São Paulo: Scipione, 2013. pp. 66 e 67.
Depois de ler o texto, analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa INCORRETA sobre a visão de Platão a respeito do ser humano.
I- Para Platão o ser humano possui duas dimensões: corpo, constituído da parte física e material, instintivo e parcional; a/ma, constituída da imaterialidade, perfeição e imortalidade.
II - A imortalidade da alma, para o filósofo Platão, reside no conhecimento que o ser humano faz de Deus, ser supremo e criador de todas as coisas, segundo a filosofia grega.
III- Segundo Platão a decadência do corpo humano, imperfeito e mortal, é reflexo do pecado original que o homem carrega desde o nascimento.
IV- Tanto o corpo como a alma são indispensáveis à vida do homem, contudo, a alma, fonte do pensamento e da razão deve conduzir o corpo, para que este não se desvie da perfeição.
V- A alma não exerce a sua devida função, se o ser humano não tiver com o corpo o devido cuidado. Isso é, por meio da 'ginástica filosófica', controlar os instintos e as paixões.