A questão se refere ao texto a seguir.
Bem-estar nas escolas: desafios estruturais e caminhos para fortalecer estudantes e educadores
As escolas ocupam um papel central no desenvolvimento integral de crianças e
adolescentes. Mais do que espaços de aprendizagem acadêmica, são ambientes de
convivência, construção de vínculos e ampliação de repertórios sociais e emocionais.
Quando o bem-estar está presente, estudantes se engajam mais, permanecem na escola e
aprendem melhor.
Durante muito tempo, a saúde mental e o bem-estar foram tratados como temas
secundários nas políticas educacionais. Nos últimos anos, o avanço das evidências
científicas tem reforçado que aprendizagem, bem-estar físico e saúde mental caminham
juntos. Ambientes seguros, relações de cuidado e práticas pedagógicas intencionais estão
diretamente associados ao engajamento escolar e ao enfrentamento da evasão, um dos
grandes desafios da educação pública brasileira.
Estudos recentes ajudam a dimensionar esse desafio. Em 2025, uma pesquisa
conduzida pelo Instituto Educbank, em parceria com o Great Place to Study, mostrou que
57% dos estudantes não percebem a escola ou seus professores como atentos ao seu bem-estar. Apenas cerca de 20% afirmaram se sentir acolhidos no ambiente escolar.
Outro fator que passou a influenciar diretamente o clima escolar é o uso de
celulares. A regulamentação nacional, em vigor desde 2024, ao restringir o uso dos
aparelhos em sala de aula a fins pedagógicos, contribuiu para melhorias na atenção, na
participação dos estudantes e na redução de conflitos. A medida também estimulou
debates sobre cidadania digital, equilíbrio no uso de telas e práticas pedagógicas mais
intencionais.
Nos últimos anos, políticas públicas têm incorporado o bem-estar, a saúde mental
e o desenvolvimento socioemocional aos currículos escolares. Esse movimento
representa um avanço importante. No entanto, a simples inclusão do tema nos
documentos oficiais não garante mudanças sustentáveis, especialmente em redes públicas
marcadas por desigualdades estruturais.
Sem investimento consistente na formação continuada de educadores e em
condições institucionais que apoiem o trabalho pedagógico, iniciativas voltadas ao bem-estar tendem a permanecer no plano normativo. Evidências mostram que escolas que
fortalecem relações colaborativas, gestão participativa e práticas de cuidado apresentam
melhores resultados de aprendizagem e maior engajamento da comunidade escolar.
Avançar exige compreender o bem-estar como uma construção coletiva,
incluindo ações voltadas para o suporte de professores. Isso envolve fortalecer políticas
públicas integradas, investir na formação continuada, ampliar equipes multiprofissionais,
criar espaços reais de escuta nas escolas e promover práticas pedagógicas que enfrentem
as causas do bullying e da evasão escolar, com atenção especial à promoção da equidade
racial.
A aprovação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades
Escolares, em 2024, representa um marco importante ao reconhecer a saúde mental como
parte do direito à educação. O desafio agora está na implementação efetiva dessa política
nos estados e municípios, transformando marcos legais em ações concretas.
Nesse contexto, redes públicas de ensino, em articulação com organizações da
sociedade civil, têm demonstrado avanços relevantes. A Coalizão para Educação Integral para Adolescentes, por exemplo, reúne governos e organizações em torno da promoção
de ambientes escolares mais seguros, do fortalecimento da educação integral e do
enfrentamento das desigualdades raciais.
Fortalecer o bem-estar nas escolas é tratá-lo como um eixo estruturante das
políticas educacionais, integrado à formação docente, à gestão escolar e à promoção da
equidade. Esse é um esforço coletivo, que exige colaboração entre poder público,
organizações da sociedade civil e lideranças educacionais comprometidas com uma
escola que acolha, engaje e garanta o desenvolvimento integral de todas as pessoas.
(Texto adaptado Disponível em: https://fundacaolemann.org.br/noticias/bem-estar-nasescolas/ Acesso em 20 jan. 2026)
A oração destacada classifica-se como: