Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: FEC
Orgão: DETRAN-RO
UMA FÁBRICA DE SUCESSO
A maior aposta da SACI é um modelo totalmente
modificado do conhecido BOX. Trata-se de um carro popular,
o BOXER, nascido junto com a moderna fábrica de BACABA,
um feliz resultado dos esforços de lideranças de Estado e
Município sobre o segmento automotivo, visto por eles como
um dos mais empreendedores e ativadores de economias
regionais em todo o mundo. Para os 3000 funcionários da
nova unidade esta, sem dúvida, é a grande chance, e para a
região uma vitória contra a pobreza da estagnação.
"A SACI pode ser ainda muito mais forte, e por isso
mesmo decidimos investir tanto nesta unidade, planejada
para ser a mais eficiente do grupo", diz EDWARD MANSO,
presidente da holding SACIMOBILE, que continua com a sua
explicação.Hoje, vender mais significa oferecer o que o
consumidor quer, ou seja, carros bonitos, confortáveis,
duráveis, práticos, ágeis e, principalmente, baratos. Assim,
tem-se que fazer mais com menos, e a SACI concentrar-se-á
inicialmente no carro de motor 1.0, propulsor atual da indústria
automotiva brasileira. De cada 10 veículos vendidos, 8 são
populares 1.0, razão do investimento de 1,2 bilhão de dólares
em BACABA. “Depois, isto poderá mudar e outros modelos
certamente virão, até mesmo para o mercado europeu e
americano”, afirma ANTÔNIO SURJO, o supervisor de
qualidade.
Desfeita a união temporária com a PERALTA, a SACI não
conseguiu mais voltar ao seu patamar de vendas anterior.
Tinha quase um quarto do mercado brasileiro quando se uniu,
mas com o fim do casamento saiu com apenas10%. Pecado
capital durante a triste parceria: a SACI ignorou a tendência,
que se transformou em mania nacional, de carros populares.
Enquanto a SACI investia em modelos caros, a PERALTA
lançava o seu modelo 1000, sucesso da indústria brasileira.
Em seguida, outras montadoras desembarcaram no país
entendendo a limitação da renda nacional e a vocação
popular, mas acreditando que as coisas não iriam ficar assim
para sempre, pois “luxos” como ar-condicionado e alguns
outros elementos de conforto e despoluição estarão
“pressionando a cilindrada” para cima.
A robotização já chega a 50% nas indústrias mais
modernas do país, o que inclui a montadora de BACABA. A
ação integrada evoluiu a tal ponto que as indústrias de
autopeças, antes concentradas em poucos Estados, hoje
viajam com as montadoras para onde elas fixam endereço.
Para BACABA , por exemplo, 33 fornecedores
acompanharam a SACI. Resultado: juntos reduziram o tempo
de produção de cada carro de uma semana para um dia.
Os consumidores também ganharam: além do preço mais
baixo, a qualidade e durabilidade também cresceram. "Nos
anos 80, um carro era projetado para durar até 3 anos. Hoje, o
prazo de validade subiu para 10 anos", diz LUCAS DE
FORRÓ, vice-diretor da SACI em BACABA. O gerente de
produção, EDGARDO VIENA, aponta outros avanços entre o
fim da década de 70 e hoje: as pastilhas de freio, que eram
trocadas a cada 10.000 Km, atualmente duram 40, e um jogo
de pneus, que agüentava 20.000 Km, agora roda o dobro. No
final da linha de montagem, para lembrar que os avanços
ocorrem no campo tecnológico, mas também no da gestão, é
a vez da inspeção de qualidade, quando, depois de prontos,
os carros são testados nos itens infiltração, ruído, parte
elétrica e alinhamento.
VIENA diz ainda que a SACI busca assegurar o máximo
de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, ao
empregado, o que depende de identidade de interesse entre
ambos, pois a prosperidade de um não pode existir sem que
seja acompanhada pela do outro. Salários altos para
funcionários sim, mas com baixos custos de produção, e isto
recomenda trabalho racionalmente organizado. “E é por essa
razão que os benefícios para os empregados da SACI
cresceram, ficando parte dos lucros com eles, e a qualificação
aumentou. Antes, bastava ter o 1º grau, mas agora o piso é o
2º grau completo. Acidentes de trabalho caíram 95% em vinte
anos depois que se percebeu que 80% dos problemas vinham
das mesmas 20% de causas, aplicando-se ações corretivas
prioritariamente sobre as principais falhas”, acrescenta.
Até as históricas greves de metalúrgicos têm cedido lugar
a acordos mais flexíveis, como a redução da jornada de
trabalho e outras práticas do gênero, depois da observância
do princípio de que cada indivíduo deve receber ordens de um
e apenas um chefe, ou seja, o princípio da autoridade única.
Muito coerente, o complexo de BACABA tem também
administração única, compartilhando transporte, centro
médico e piso salarial. O custo de segurança é rateado entre a
SACI e os fornecedores, resultando em economia de 50% dos
custos de administração dos serviços. O trabalho é
sincronizado e cada segundo conta. Quando um carro
começa a ser montado, ainda esqueleto, os fornecedores são
acionados e o pedido de peças aparece na tela dos
computadores, especificando o volume e a hora de entrega.
Automóvel na linha de montagem agora significa
fornecedores de autopeças seguindo simultaneamente para
rechear a máquina com seus equipamentos e acabamentos.
“Não se pode evitar questões éticas nos negócios mais do
que em outras áreas de nossas vidas; em BACABA, a
modernidade da fábrica inclui a preocupação ecológica” diz
MARINA DETALL, a consultora interna de RH. O sistema de
tratamento de esgoto é feito por um método que utiliza a
filtragem mecânica e biológica de água no solo e em tanques
com o plantio de culturas regionais. No fim do processo, a
água sai purificada, podendo ser reutilizada na irrigação de
jardins. No terreno, é possível ver também as primeiras
mudas de reflorestamento com plantio de espécies nativas da
Amazônia.
Toda a mão-de-obra da fábrica vem de BACABA e do
município vizinho chamado ASSAÍ. Os operários são
treinados no SENAI enquanto a prática de treinamento é feita
na fábrica. O comércio em BACABA cresceu 25% no último
ano. O primeiro hotel já abriu suas portas perto da fábrica.
Lojas especializadas em equipamentos de segurança,
ferramentas e outros produtos consumidos na fabricação do
BOXER estão chegando. Novos cursos foram inaugurados
nas faculdades da Região e na Universidade do Estado. Feliz
com seu primeiro emprego de carteira assinada, GRAÇA DE
ARANHA, com apenas 19 anos, sonha alto. "Estou fazendo
cursinho para a faculdade de marketing e quero trabalhar em
escritório", diz ela, que atua na área de manutenção do
complexo.
BACABA representa a vocação latino-americana, um dos
quatro pólos automotivos mundiais. Os EUA ficaram com o
mercado dos carros de maior porte. A Europa com os veículos
requintados e de alto desempenho esportivo. A Ásia é grande
exportadora e satisfaz a demanda mundial. "Sobrou para a
América Latina os carros populares que podem ser
exportados para os países emergentes", diz o engenheiro
LUCAS. A perspectiva é atender a mercados com
características semelhantes às do brasileiro, como Índia,
Rússia e China utilizando novas e diversas rotas de comércio.
Pode ser a única, mas é, sem dúvida, uma boa saída