A qualquer preço
Os europeus conheciam a África desde o início da expansão marítima, principalmente Portugal que tinha Angola e Moçambique como colônias. Na primeira metade do século, eles construíram portos e promoveram algumas benfeitorias em seus enclaves no litoral oeste africano. Não existia nenhuma organização política nas colônias portuguesas, exceto em algumas áreas portuárias onde haviam tratados com o propósito único de assegurar os direitos dos traficantes de escravos.
Havia também a obtenção de pedras, metais preciosos e especiarias, itens subtraídos do continente pelos sistemas de captura, pilhagem e de escambo. O método predador foi decisivo para o abandono da agricultura e o atraso no desenvolvimento manufatureiro dos países africanos. Além de trazer doenças, os europeus impuseram sua religião, escravizaram o povo e destruíram as relações culturais existentes entre os nativos. Mas isso foi só o começo.
A partir de meados do século, ingleses, franceses e holandeses expulsaram os portugueses das melhores zonas costeiras para o comércio de escravos. O plano da Inglaterra, por exemplo, era controlar os territórios que iam do Egito ao Cabo, subindo desde a África do Sul, que já lhe pertencia, incluindo a Rodésia, Uganda e Quênia. Para consolidar seu domínio, eles travaram uma guerra que dizimou a tribo dos zulus, cujas terras eram ricas em diamantes.
No final do século e meados do século, os ingleses assumiram a liderança da colonização africana, combatendo a escravidão, já menos lucrativa, e direcionando o comércio para a exportação de ouro, marfim e animais. Implantaram um sistema administrativo fortemente centralizado na mão de colonos brancos ou representantes da Coroa inglesa - o Apartheid é um reflexo expressivo dessa política.
No fim do século e início do século, a expansão do capitalismo industrial forçou o neocolonialismo naquele continente e outras potências ávidas por riquezas surgiram, como Bélgica, Itália e Alemanha - este, o último país europeu a participar da corrida imperialista. O Chanceler Otto von Bismarck, primeiro-ministro alemão, conseguiu reunir na conferência de Berlim (1884-1885), as principais potências imperialistas, com objetivo de ordenar a partilha da África. As regras de ocupação foram uma coisa vergonhosa. A divisão não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e nem mesmo familiares dos povos do continente. A Alemanha, país anfitrião, passou a administrar o sudoeste africano (atual Namíbia) e o Tanganhica. Outros países saíram contemplados: Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia. Áustria-Hungria, Império Otomano.
A colonização, na medida em que representa a ocidentalização do mundo africano, suprimiu as estruturas tradicionais locais e deixou um vazio cultural de difícil reversão. Tirou-se tudo da África! Mais do que riquezas, a alma de um continente foi vilipendiada. Haverá perdão para isso? Só o tempo dirá ...
Valter Costa
Leituras da História, ano VI, ed. 79, p. 5,26 de janeiro de 2015
Leituras da História, ano VI, ed. 79, p. 5,26 de janeiro de 2015
A proposição “Mas isso foi só o começo”. objetiva, EXCETO: